Um candidato às eleições parlamentares norte-americanas foi acusado de enviar cartas intimidando famílias hispânicas do sul da Califórnia. O conteúdo das correspondências trazia ameaças de que os imigrantes seriam presos e deportados caso aparecessem para votar. A ligação entre a campanha do republicano e as cartas foram feitas pela promotoria do Estado da Califórnia. Os investigadores identificaram o endereço onde foi obtida a lista de destinatários, mas não divulgaram o nome do acusado. Os jornais Los Angeles Times e The Orange County Register, no entanto, informaram que se tratava de Tan D. Nguyen, que disputa uma vaga com a democrata Loretta Sánchez. As cartas, escritas em espanhol, dizem que o governo desenvolveu um sistema de computador para rastrear os nomes dos eleitores registrados. O texto diz que apenas os imigrantes naturalizados e cidadãos americanos podem votar, o que é verdade, mas apresenta outras informações falsas. Cerca de 14 mil eleitores democratas registrados no condado de Orange receberam as correspondências. O líder republicano na região, Scott Baugh, reuniu-se nesta quinta-feira com os responsáveis pela investigação e concluiu que Nguyen esteve envolvido com a fraude. - Eu obtive informações que me permitiram ver que não só a campanha de Nguyen estava envolvida, como ele próprio -, afirma Baugh. O partido republicano decidiu pedir ao acusado que retire seu nome das eleições. O candidato republicano se defende das acusações e diz ter demitido o funcionário de sua campanha que teria enviado as cartas. Nguyen, vietnamita radicado nos Estados Unidos, nega que seja responsável pelas correspondências. - Eu não aprovei essas cartas -, diz o republicano, um severo opositor da imigração ilegal. O porta-voz da promotoria, Nathan Barankin, diz que não há previsão para se concluir as investigações. Nos Estados Unidos, intimidar eleitores é considerado crime pelas legislações Federal e do Estado da Califórnia. Democratas tiram proveito Os dirigentes republicanos locais pediram publicamente a renúncia de Nguyen à candidatura, por enquanto sem resultados. Enquanto isso, o gabinete da chefe da bancada democrata na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, gabou-se dos reflexos rápidos e distribuiu uma fotografia de Nguyen apertando a mão de Dennis Hastert, o representante republicano pelo Illinois que atua como relator da Câmara Baixa. Pelosi pediu aos líderes do partido republicano que desautorizem Nguyen e que o obriguem a sair da disputa. Depois, em uma mensagem eletrônica sem comentários ou declarações, o seu gabinete de imprensa distribuiu a foto do candidato antilatino sorridente junto a Hastert, com o objetivo óbvio de vincular os principais líderes do governo no Congresso com o controvertido aspirante a deputado. Além de Nguyen, os democratas estão sendo favorecidos nas últimas semanas por diversos escândalos que salpicam nos republicanos do presidente George W. Bush, o último dos quais custou o cargo do deputado Mark Foley, que supostamente enviava mensagens eletrônicas com conteúdo sexual a adolescentes que estagiaram no Capitólio.
Da redação com agências Tweet