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Juan Rodriguez (à esq.), o brasileiro Felipes Matos, Gaby Pacheco e Carlos Roa, durante parada na frente da prefeitura de Lake Worth, FL.Reprodução
Nem o frio incomum que faz na Flórida fez os participantes desistirem da caminhada. Objetivo é chegar a Washington D.C.
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A chamada “Trilha dos Sonhos”, marcha em prol da legalização, que saiu de Miami com destino a Washington D.C, fez na última quarta-feira (6), uma parada na cidade de Lake Worth, Flórida após percorre 62 milhas. O objetivo foi reunir defensores e simpatizantes da causa na prefeitura.
Segundo o jornal Palm Beach Post, o grupo de quatro estudantes, entre eles o brasileiro Felipe Matos, 23, enfrentou ventos fora do comum no estado, conhecido como o “Estado do Sol”, para discursar pela legalização. Em frente à prefeitura, Felipe entoou sábias palavras para cerca de 50 pessoas. “Nós que acreditamos na liberdade não descansaremos até obtê-la”, disse o brasileiro, detentor de um prêmio na faculdade de Miami Dade porém impedido de trabalhar legalmente e de obter a sonhada carteira de motorista.
Em comemoração à visita dos estudantes, a Comissária da Cidade, Cara Jennings, proclamou o dia 6 de janeiro como o Dia dos Sonhadores em Lake Worth. O Resource Center teve a segurança reforçada pela polícia do Condado de Palm Beach, mas nenhum incidente foi registrado. Os caminhantes participaram de uma cerimônia religiosa na Igreja Católica de Saint Ann, antes de seguir para West Palm Beach. A programação incluía ainda uma parada no escritório do democrata de Miramar Alcee Hastings.
Como forma de dar mais credibilidade à marcha, os estudantes carregam o “dream quilt” (colcha dos sonhos, em tradução livre). Em cada quadrado da colcha estão escritos os sonhos de todos os que acreditam na reforma imigratória. A idéia foi do grupo da Juventude Latina de Indiana. “Achamos que seria uma boa ferramenta de solidariedade”, afirmou Felipe Vargas, professor na Universidade de Indiana. Os cerca de 900 quadrados da colcha levam agora os sonhos do povo presente no Resource Center, registrados através de desenhos ou escritos.
Solidariedade
Por onde passam, os manifestantes pacíficos estão contando com a boa vontade de todos. “Está sendo uma experiência fantástica”, afirmou o venezuelano Carlos Roa, 22. O companheiro colombiano Juan Rodriguez, 23, que veio para o país com 6 anos de idade e é residente permanente, afirmou que é impossível ignorar que as pessoas da comunidade dele estão desaparecendo.
Organizações como a Coalizão para os Direitos dos Imigrantes, do Condado de Palm Beach, prestam apoio incondicional ao movimento. A solidariedade garantiu alimentação e hospedagem aos estudantes.
A manifestação pacífica planeja a chegada à capital do poder americano em maio próximo. O grupo vai pedir ao presidente Barack Obama o fim da deportação de estudantes que chegam ainda crianças aos Estados Unidos, bem como daqueles que tem cônjuges e filhos americanos. Sem as batidas não haverá mais separações de famílias. “Vamos levar os sonhos até o presidente Obama”, disse Felipe.
O nome da marcha teve duas inspirações, segundo o brasileiro. Uma delas foi o Dream Act, projeto de lei que regularizaria o status imigratório de estudantes indocumentados. A outra foi a “Trilha das Lágrimas”, nome dado à saída forçada de Oklahoma de índios americanos. “Desta vez queremos fazer por sonhos, não por lágrimas”, afirmou Felipe.