O Brasil conquistou duas medalhas no 12º Campeonato Panamericano de Jiu-Jitsu no dia 9 de abril em Carson, Califórnia. Luigi Emile Mondelli, mestre e instrutor faixa-preta da equipe Best Way Brazilian Jiu-Jitsu conquistou a medalha de ouro e Márcio Ribeiro, também faixa-preta e pertencente à mesma equipe ficou com o bronze. O Panamericano é considerado o campeonato mais importante dos Estados Unidos e é realizado anualmente na Califórnia. Luigi também ganhou o ouro em 2004, e Márcio Ribeiro já foi prata em 2001 e ouro em 2004. O adversário de Luigi foi Luciano Bandeira, brasileiro que dá aulas de jiu-jitsu na Califórnia e venceu o campeão do ano passado. A luta que sagrou Luigi bi-campeão foi mais estratégica e considerada a mais difícil, pois seu adversário era bastante técnico. Luigi ganhou somente duas vantagens (critério de desempate no jiu-jitsu). “Não tive muito tempo para treinar e contei com a ajuda dos próprios alunos”, conta ele, destacando que confiou muito na sua capacidade técnica para vencer o adversário. A rotina de treinos para o campeonato era na própria academia onde Luigi dá aulas. Segundas, quartas e sextas-feiras ele dava aulas e treinava com os alunos mais fortes, os quais participavam do treino também nas terças e quintas-feiras num total de uma hora, alternando os alunos a cada dez minutos. Ele preferia ter tido mais tempo para treinar e os alunos lhe perguntavam a todo o momento se ele estava preparado para lutar, dizendo que “eles se sentiram bastante honrados em servir de treino”. Morando há três anos em Danbury, Luigi e Márcio vieram para os Estados Unidos com o objetivo de montar a Best Way, que é uma equipe grande no Brasil e é também filiada à American Top Team, a maior equipe americana de Jiu-Jitsu. De 1990 para cá o Brazilian Jiu-jitsu foi bastante divulgado nos Estados Unidos. “É um esporte que exige bastante determinação e não é violento. Meus alunos são advertidos e suspensos caso utilizem o jiu-jitsu como forma de violência”, afirma Luigi, ensinando que jiu-jitsu significa literalmente “arte suave”. Márcio, que também é instrutor faixa-preta da equipe, enfatiza que “é um esporte que me ajudou a adquirir segurança e auto-confiança.” Marco de Lima é outro brasileiro que faz parte da equipe. Competidor e renomado lutador, já conquistou vários títulos importantes nos Estados Unidos. Foi o primeiro faixa-preta da Best Way na América, é campeão de vale-tudo (categoria do jiu-jitsu que inclui todas as artes marciais) e importante reforço para a Best Way”. A direção geral da equipe é de Luigi. Profissionalização A academia de Luigi, que fica na 13 Barnum Street em Danbury, tem 70% de alunos americanos e 30% brasileiros. “A faixa de idade dos alunos vai dos 19 aos quarenta anos, alguns querem se profissionalizar e outros treinam por prazer. Nossa prioridade é focalizar nos alunos, alguns conquistaram o primeiro lugar em importantes campeonatos. Como o brasileiro Hitalo Machado, por exemplo, campeão de vale-tudo pela World Fighting League. Outro brasileiro é o Glover, que foi nosso aluno e atualmente mora numa academia na Califórnia, para treinar e aproveitar as oportunidades”, conta Luigi, bastante orgulhoso das conquistas de sua equipe. Márcio também é motivo de orgulho, sobretudo por ter machucado a mão cerca de cinco dias antes do Panamericano. “Meu bronze teve gosto de ouro. Quando machuquei minha mão não imaginei que conseguiria o terceiro lugar. Cheguei no hotel na sexta-feira dia 7 sob o efeito de analgésicos”, conta ele. Seu adversário foi o renomadíssimo Roberto Traven, brasileiro que dá aulas de jiu-jitsu na França. A academia de Luigi também promove seminários que são gratuitos e abertos à comunidade. No ano passado foi realizado o Seminário de Defesa Pessoal para mulheres corretoras de imóveis, e este ano o tema foi Anti-Bulling, que focaliza o abuso por parte dos meninos mais fortes na High School. A idéia foi de um aluno da academia preocupado com seus filhos. Outro aluno da academia, que também é pai, sugeriu a Luigi um novo tema: defesa para meninas que saem da High School e vão direto para a faculdade, projeto que está sendo desenvolvido para este ano. A “arte suave” começou na Índia há mais de dois mil anos atrás, onde os monges eram proibidos pela religião de se defender com armas. A necessidade de defesa corpo-a-corpo nasceu em suas longas caminhadas, quando eram atacados por bandidos das tribos mongóis do norte da Ásia. Desenvolveram então um tipo de defesa especial para o tipo físico do seu povo, franzino e de baixa estatura. Eram conhecedores de pontos vitais do corpo. Essa espécie de embrião do Jiu-jitsu atravessou as fronteiras da China e o esporte popularizou-se no Japão. De acordo com alguns Fóruns de discussão na Internet, Danbury é considerado a meca do Brazilian Jiu-Jitsu no estado, o que atesta o surpreendente desenvolvimento do Brazilian Jiu-Jitsu na região. Em dezembro do ano passado Ricardo Libório, fundador da Brazilian Top Team e da American Top Team esteve na Best Way Connecticut ministrando um workshop para aproximadamente 50 alunos de dentro e fora da Best Way. Luigi e Márcio aproveitam o espaço para agradecer a seus patrocinadores, a RM Insurance e Churrascaria Serra Dourada, enfatizando que “sempre procuramos dar algo em troca para quem nos patrocina, como por exemplo publicidade em nosso site”. A página da internet está sendo remodelada, com previsão de retorno para daqui a um mês, e o endereço é www.bestwayjiujitsu.com.
Por: Angela Schreiber Tweet