O trabalho de integração da organização My Sister’s Place com a comunidade brasileira de Mount Vernon (NY), pode contar com duas importantes aliadas. A brasileira Jeanete Santos, voluntária do Civic Center, decidiu contar a própria história com o propósito de incentivar outras brasileiras vítimas de violência doméstica. O outro caso envolve a custódia de uma criança, onde a mãe recebeu total apoio da organização.
Durante 19 anos, Jeanete conviveu com o alcoolismo e as agressões do então marido, que começou a beber e a traí-la quando os dois estavam casados somente há um ano e meio. Quando ela chegou nos Estados Unidos continuou a suportar os problemas dele com bebida. No início as agressões eram verbais, mas a situação se agravou quando Jeanete passou a reclamar. “Ele jogava latas de cerveja em mim e quebrava coisas em casa”, contou Jeanete.
Decidiu acabar com o casamento quando fotografou o ex-marido com uma amante. Inconformado, ele tentou sufocá-la e se armou de uma faca de cozinha. Os dois estavam dentro do carro e ninguém ouvia os gritos de Jeanete, que ainda conseguiu quebrar a faca. Fora do veículo, ela sofreu inúmeras agressões e pensou que fosse morrer. O irmão dela veio em socorro e o agressor foi preso. Segundo Jeanete, ele só não pegou de 10 a 15 anos de prisão porque ela foi embora para o Brasil e não ficou presente para o julgamento.
Jeanete foi dominada pelo medo, única razão pela qual manteve o casamento. Ameaçada constantemente, questionava. “Quem cuidaria dos meus filhos?”. Na época ela não conhecia nenhuma organização como a My Sister’s Place, e admite que se soubesse deste trabalho, tudo seria diferente. Como voluntária no Civic Center, quer alertar outras mulheres, inclusive para pequenos sinais, que podem aparecer desde o namoro. “Se existe ciúme exagerado, falta de confiança ou ele briga demais e depois agrada muito”.
Apoio trouxe alívio
O caso da brasileira L.C. foi de custódia do filho, atualmente com 3 anos e meio. Ela soube do trabalho da My Sister’s Place através da corte, onde buscou informações sobre o melhor tipo de custódia. Ao conversar com Michel Tooner, do setor de aconselhamento da organização, passou a usar dos seus direitos.
Além de estar um tanto perdida na época, L.C. confessou que o fato de estar indocumentada pesou bastante. Ela sentiu um grande alívio quando a My Sister’s Place disse que o status imigratório dela não era importante. “A organização ajuda também com separação e indica advogado gratuito para casos de imigração”, disse.
Foi também através da organização que L.C. descobriu que havia sofrido agressão verbal durante a união de 8 anos. “Não tinha noção disso”. Mesmo não morando mais em Mount Vernon ainda mantém contato com a My Sister’s Place, que tira todas as dúvidas dela. “Lá aprendi os direitos das mulheres”.
Convivendo em paz com o ex-companheiro, o qual vê o filho regularmente, L.C. disse que a batalha foi dura, e que agora fará o possível para divulgar o nome da organização. “Já enviei algumas amigas, todas foram auxiliadas”. Em um dos casos, uma avó pedia ajuda para obter a guarda do neto.
A My Sister’s Place existe há 25 anos e protege vítimas de violência doméstica e os filhos dela. Atua no condado de Westchester e mantém um escritório em Mount Vernon. Informações pelo telefone (914) 683-1333 ou pelo website www.mysistersplace.ny.org.