Danbury, CT - Wednesday, February 08 2012
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Falar somente inglês com o filho é um erro, afirma educadora

Famílias, aos poucos, se conscientizam da importância de falar português com os filhos.

Divulgação
A educadora Lenita O’Rourke, à direita, lamenta que muitos pais tiram dos filhos a oportunidade de falarem português.

A educadora Lenita O’Rourke, à direita, lamenta que muitos pais tiram dos filhos a oportunidade de falarem português.

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Não é raro vermos pais brasileiros que falam somente em inglês com os filhos, uma vez que chegam aos Estados Unidos. Com o tempo, estas mesmas crianças enfrentam sérios obstáculos. Por isso mesmo, a manutenção da língua portuguesa e da cultura brasileira tornou-se uma necessidade que acabou envolvendo vários educadores brasileiros no país.

Foi pensando nisso que o Consulado-Geral do Brasil em Nova Iorque, em parceria com o curso de português Brasil Ahead, criou o “Brasileirinhos em Nova Iorque”. Uma vez por mês, o projeto reúne crianças de 2 a 5 anos. Os pequenos aprendem brincando, utilizando também músicas e folclore brasileiro.

No estado de Massachusetts, o Movimento Educacionista, criado no Brasil e com núcleos nos Estados Unidos, oferece o ensino de português e da cultura brasileira para crianças, jovens e adultos. Desde 2009, o Movimento Educacionista apoia a Escolinha de Português Santa Terezinha em Allston, com três níveis de aprendizado.

Independente do projeto, o que vale mesmo é a manutenção de nossa língua e de nossa cultura. Segundo Floriana Martinez, presidente da Portuguese International Parents Association (PIPA), na Flórida, existem pais brasileiros que se questionam quanto à educação dos filhos, no que diz respeito à língua. Por outro lado, de acordo com ela, boa parte da comunidade brasileira tem conscência das próprias raízes.

“Nossa cultura é maravilhosa, super-divertida, colorida, eles [as crianças] gostam. Então como você vai tirar isso de uma criança, que tem essa raiz?”, questionou. Segundo ela, professoras brasileiras já disseram que tem mais sucesso na faculdade a criança que vive a sua própria raiz.
Este mesmo sucesso pode se estender para a vida profissional. Por também falar português, uma brasileira desbancou um americano que concorria à mesma vaga de emprego.

A importância de falar português
Uma das criadoras do programa bilingue de português da Ada Merritt School, instituição que trabalha junto com a PIPA, Lenita O’Rourke, lamentou que muitos pais tenham a tendência de falar somente inglês em casa, uma vez que estão nos Estados Unidos. “Ao longo dos anos, é claro que o inglês predomina, porque vivem num país onde se fala inglês”, disse.

Uma família residente no estado de Nova York é um bom exemplo. Os pais optaram em falar somente inglês com a filha mais velha, nascida no Brasil, e com os dois menores, nascidos nos EUA. Já um casal que mora em Connecticut não abriu mão de falar português com o filho, cidadão americano.

A manutenção da cultura brasileira na casa da americana Karen Araújo é uma constante. O marido é brasileiro, e sempre que possível, a família inteira vai ao Brasil. “Eles gostam muito da cultura brasileira”, disse ela, sobre os dois filhos. Para ela, tanto a cultura brasileira quanto a americana tem bastante mistura.

Não é exatamente arrependimento o que sente Geisa Kryszczynski, quando confidencia que quase não falava português com os filhos em casa. “Sinto que foi um erro da minha parte”, disse. Mas se pudesse voltar atrás, agiria diferente. “É essencial falar duas línguas”. Ex-esposa de um americano, Geisa quase não tinha contato com a comunidade brasileira.

“Com o Joe eu puxo o português”, disse a mãe, falando sobre o filho de 15 anos. Americano, o jovem surpreendeu Geisa enquanto batia um papo em português com o primo, quando esteve no Brasil.

A convivência com garotas brasileiras levou Juliana Zalsa, 25, filha mais velha de Geisa, a praticar mais o português. Morando no país desde aproximadamente os 2 anos e meio de idade, quer aprender mais a própria língua. “Sou brasileira”, disse ela, carregando ainda dois bons motivos. “Para trabalho, é importante saber mais de uma língua. E se um dia eu voltar para o Brasil”.

Da redação do ComunidadeNews.com
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