Lúcio Souza Versão para impressão
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Prestem atenção na história que vou contar, pois tenho certeza que se você imaginar o protagonista, pode na sua vida se encaixar. Se já é difícil uma história inventar, imaginem as frases tentar rimar.
Há alguns anos trocamos o Brasil pelos Estados Unidos, para encararmos desafios até então desconhecidos, não sabíamos falar, não sabíamos andar, só queríamos era trabalhar. Todos nós tínhamos os mesmos objetivos, trabalhar por dois anos nos Estados Unidos.
Dois anos então se passaram, e alguns objetivos já foram alcançados e os imigrantes não se arredaram. Mas tudo isso é fácil de explicar, muitas coisas nós aprendemos de lá para cá, aprendemos a jogar o lixo no seu devido lugar, na placa de stop aprendemos parar, e o idioma aprendemos a falar.
Descobrimos que neste país, um simples pintor, carpinteiro ou encanador, pode comprar uma casa, carro e computador, até mesmo trabalhando com lixo, você pode comprar um BMW, Mercedes ou Ford Expedition.
Além deste padrão de vida que muitos têm por aqui, ainda é fácil encontrar muitos imigrantes por aí a reclamar, mas isso também é fácil explicar. Quem não tem saudade da nossa gente? Dos familiares naqueles encontros sempre contente?
Temos saudades daquela rua simples que vivemos na infância, do cheirinho da vovó, das brincadeiras de crianças, o cochilo naquela rede embalada, e quem não se lembra daquele beijo na primeira namorada?
São lembranças que vão ficar pra sempre dentro da gente, mas se hoje para o Brasil a gente voltar, poucas coisas nós vamos encontrar, e de uma coisa você pode apostar, os Estados Unidos na nossa lembrança sempre vão ficar.
Seus filhos já estão adultos depois de tantos anos, seu coração brasileiro já é norte-americano, voltar para o Brasil e ficar perto dos seus pais, agora significa deixar seus filhos para trás. Um dilema que muitos de nós temos que viver, por isso que eu sempre digo... O imigrante nunca vai ter prazer.
Conseguimos certa liberdade financeira, mas dizer que ficamos ricos aí já é falar besteira. Temos sim uma vida melhor do que muitos no Brasil, mas muitas vezes por ter deixado minha terra, às vezes me sinto um imbecil. E assim vamos vivendo, muitas vezes por viver, com angústia, alegria, saudade e até mesmo prazer.
Iguais nossas famílias, os nossos corações estão divididos, alguns tentam se encontrar, mas quase sempre são proibidos, a fronteira sem cartão se torna muito distante, e a legalização é a única solução para o imigrante.
Bom o texto já terminou, e eu te pergunto se gostou? A história é engraçada mas verdadeira, levando as coisas sérias na brincadeira, isso é mais uma forma de desopilar, a cabeça de quem só viver para trabalhar. Esse texto é seu... Obrigado.