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Editorial - Lúcio Souza

Sofrendo da mesma inadvertência

04/07/2010 10:11:43 AM
Editorial - Lúcio Souza

Lúcio Souza

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Pois é! Existe o dia da caça, outro do caçador. Vocês lembram o caso do menino Sean? Aquele que o pai americano ficou anos tentando trazer de volta aos Estados Unidos? Ok! Todos já sabem que David Goldman, pai do menino, conseguiu na justiça brasileira trazer o filho de volta. Só que ele, junto com sua advogada, para conseguir este façanha, teve que prometer várias coisas a outra parte da família do Sean.

Até que chega a hora da onça beber água... Como o futuro sempre chega, neste caso não foi diferente. Semana passada, os avós do Sean tentaram fazer aquela visita que prometeram ao neto, quando ele estava deixando o Brasil. Ela já teria dado ao Sean um celular para que eles ficassem em contato, só que o pai herói sempre atendia as ligações da avó, e pedia para que ela falasse com o neto em inglês.

Começavam as dificuldades. Ao chegar aos Estados Unidos, mais precisamente no estado de New Jersey, a avó, Silvana Bianchi, não conseguiu encontrar seu neto. O pai do menino não foi encontrado e não atendia as chamadas da avó. Foram dez dias tentando encontrar o neto, na esperança de receber pelo menos um abraço e matar a saudade do menino.

O pai, que atende pelo sobrenome de Goldman, que quer dizer “homem de ouro”, está se tornando o vilão desta história. Se ele não acredita nos sentimentos da avó do menino, como é que ele queria que todos acreditassem nos sentimentos dele pelo filho? Será que ele esqueceu do quanto sofreu ficando longe de uma pessoa que diz amar?
Será que o ex-presidente Clinton, vai intervir nas negociações entre filho e avó agora? Este reação do pai do Sean é claramente de vingança. Ele está fazendo a avó sofrer as mesmas dores que ele próprio sofreu durante anos. Se ela merece sofrer tudo isto agora ou não, não nos cabe julgar. Acho que quem vai sofrer com tudo isto no futuro é o Sean... O único que não tem culpa de nada nesta história.

A palhaçada começou com o casal, se não estavam bem, poderiam ter se separado, e deixado o menino ter relações com as duas famílias. Aí entrou uma segunda pessoa, o mais novo marido da mãe do Sean, que claro, se apegou à criança, como qualquer ser humano. Então, surge a terceira pessoa, a avó do menino, e como não poderia ser diferente, se apaixona também pela criança.

E agora? O menino já viveu no Brasil, já teve uma boa relação com seu padrasto, uma ótima relação com sua avó, e está vivendo uma nova experiência com seu pai biológico. Quando tudo parecia que andava bem, o pai herói demonstra uma reação de ciúme, de vingança, ou de muita proteção. Na verdade, fica difícil para o menino se adaptar a uma família, sabendo que os mesmos odeiam o outro lado da sua história.

Deixo aqui bem claro minha imparcialidade a respeito deste caso, todos nós cometemos erros no passado, - e até mesmo hoje. Mas é verdade que um erro não compensa o outro, por isto, desejo ao Sean boa sorte, pois só ele poderá um dia trazer a paz aos dois lados desta família. (203) 449-8818, Lúcio (China). Obrigado pela atenção.

Lúcio Souza

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