Lúcio Souza Versão para impressão
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Todos nós usamos maneiras diferentes para matar as saudades. Seria bom que fosse assim: cada vez que a saudade chegasse para perturbar nossa cabeça, a gente pudesse voltar no tempo e reviver por alguns segundos aqueles momentos inesquecíveis de nossas vidas. Estou por aqui há muito tempo, e cada vez que estou jogando futebol com os amigos, sinto-me como se o tempo não tivesse passado, principalmente quando vejo amigos como Beto Coelho, Junior, Edienes, Nélio, Dione, Elias, Daniel, Klay e muitos outros que apesar de alguns quilinhos a mais continuam jogando um bolão. Quando estou jogando com eles não consigo pensar em mais nada, é a melhor maneira de matar a saudade dos tempos bons. Junte os amigos, as amigas e revivas aqueles momentos de descontração com eles. A pelada de futebol existe em todas as comunidades brasileiras, e é mesmo um momento mágico, tem discussões, bate boca e até mesmo brigas, mas logo depois da pelada lá estão eles juntos novamente, tomando um chope e dando gargalhadas com tudo que aconteceu. Se eu for citar os nomes de todos os brasileiros que participam das peladas de futebol, em Danbury ou em New York, encheria esta página. Mas, aos poucos, vou homenageando, falando de alguns aqui, colocando as fotos de outros ali, e assim vou fazendo média com uma galera que realmente merece. O mês de dezembro está na esquina como dizem os americanos, e o que vocês estão fazendo para não ficar com a consciência pesada na festa cristã? O mês de dezembro é mesmo um mês que poderia ser um modelo para o resto do ano. Inimigos se abraçam, pessoas são perdoadas, inúmeras doações são feitas em todo o mundo. Todos querem ajudar a todos, mas tem uma coisa que ninguém pode ajudar: matar a saudade do natal, mas lá do Brasil. Lembro como se fosse hoje: estava indo para a Missa do Galo, que nós católicos, comemoramos na passagem do ano. Um motoqueiro, que estava atrasado para uma festa de réveillon, perdeu o controle bem na minha frente, caindo feio. Eu também estava atrasado para a Missa do Galo, mas não pensei duas vezes em ajudar o rapaz. Sabia que iria perder a missa. Como estava de branco, depois de ajudar o cara fiquei parecendo um torcedor do Internacional, todo vermelho. O cara só estava preocupado porque iria perder o réveillon, e eu, com as pessoas que estavam me esperando na igreja, com quem eu sairia para as festas depois da missa. Naquela noite, descobrimos que réveillon e Missa do Galo, têm em todos os lugares. Pela televisão, eu, o motoqueiro e a equipe do hospital, assistimos a missa quase toda ao vivo e, confesso que o motoqueiro rezou mais do que todos. O cara comoveu todos que estavam ali, como se estivesse pedindo perdão e agradecendo a Deus por estar tudo bem. Quando eu estava saindo ele me agradeceu e falou: você me trouxe para assistir uma missa, que eu nunca havia parado para assistir. Agora eu fiz uma promessa de só sair para o Reveillon depois da Missa do Galo. Pois é! Às vezes, as coisas acontecem para nos mostrar como devem ser. Aquela coisa do caminho certo parece até sermão de Padre ou Pastor, mas é a pura verdade! Voltando a falar de saudades, esta grande barreira dura no mínimo seis horas de avião, é exatamente o tempo de vôo de New York a São Paulo. Oh! Brasil cheio de problemas, mas é muito bom rever o nosso povo. Estamos tão longe do Brasil, e ao mesmo tempo tão perto. Parece que o nosso sangue pulsa aqui, e responde lá, e o mesmo que pulsa lá responde aqui. Só quem tem família em outro país sabe exatamente de que estou falando. Fico por aqui, mas não se esqueça que vamos nos encontrar na próxima semana. Saudade é uma prova, de que já fomos felizes e, com certeza, terei muitas saudades dos dias de hoje! Tchau! Lúcio Souza (China) DIRETOR