Lúcio Souza Versão para impressão
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Caros leitores imaginem uma criança de cinco anos brincando no seu humilde quarto, de repente uma bala perdida penetra bruscamente no peito desta criança e acerta em cheio seu coração. Neste momento, a mãe desta criança esquece que está no meio de um combate entre policias e traficantes, ela pega a criança e sai desesperadamente em pleno tiroteio à procura de ajuda, os gritos de socorro desta mãe se confundem com o barulho dos moradores da favela, e com os tiros que vêm de todos os lugares. Muitas pessoas que vivem até os 40, 50, 60 ou 80, já acham a vida curta, e o que dizer desta criança, que nem idade teve ainda para entender o que é o crime organizado? Melhor se não tivesse conhecido! Justamente um inocente, mais uma vez um inocente pagou caro pela desorganização social no Brasil: com a própria vida. Fica cada vez mais difícil manter-se vivo em certas áreas no Brasil, como também se manter honesto ou até mesmo viver no Brasil. As cenas do último confronto da polícia com os marginais do tráfico vão ficar marcadas para sempre. Eles corriam perante as câmeras de TV tentando se escapar dos tiros que vinham do helicóptero, mas sem êxito, pois foram atingidos caindo no mato como se fossem animais. E os policiais foram bem claros em suas declarações: só escapou quem se rendeu! A mídia mostra todos os dias uma guerra civil bastante sangrenta na cidade maravilhosa, com policiais atirando dezenas de vezes para tentar acertar um bandido do tráfico, que muitas vezes saem ilesos, enquanto um desses tiros encontra o peito de um inocente. Agora eu pergunto: quantos inocentes ainda terão que morrer para alguém tomar as providências cabíveis? Será que a favela é o único lugar que existe para morar? Será que uma pessoa que trabalha e vive com dignidade não encontra um lugar menos violento? É difícil! Essas perguntas ficam vagando no ar à procura de uma resposta sensata. Ficamos aqui esperando que aconteça alguma mudança, que chegue alguém com uma idéia, um projeto, ou um salvador da pátria, aliás, como é que podemos pensar em salvar a alma, se ainda não podemos viver? Pense nisso meu caro leitor! Lúcio Souza (China) Diretor