Lúcio Souza Versão para impressão
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Oi gente, peço licença para nos apresentar a vocês, nós somos conhecidos como “povo pobre brasileiro”, e lá fora somos chamados de “pour Brazilian people”. Não gostamos de mostrar com detalhes nossa infeliz realidade, por isso mesmo é fácil nos encontrar por aí sorrindo, dançando, comemorando, se divertindo felizes da vida. Pois da porta da nossa casa para dentro existe fome, doença, discórdia, desconhecimento e muito desconforto.
Não podemos pagar bons professores, não podemos comprar comidas boas, não usamos roupas caras e não temos planos de saúde. Aprendemos a engolir o choro, a sorrir por tão pouco, nós não sabemos o que é emprego, só fomos apresentados ao trabalho pesado, nossos avôs, trabalharam para os avôs dos nossos chefes, e se continuar assim, nossos filhos, vão trabalhar para os filhos dos nossos chefes. São gerações e mais gerações que viveram, vivem e nunca vão conhecer a tal igualdade social.
Por isso que eles não investem na educação da gente, para que a gente continue sendo seus eternos empregados. Nossa realidade é triste, aprendemos a sonhar em cima de colchões duros, embalados pelo barulho dos velhos ventiladores, e pelos latidos dos cachorros da vizinhança. Nossa única segurança - chega a ser até engraçado -, é aquele guarda noturno que não para de usar seu apito, mostrando que ainda está acordado.
Nós somos o povo pobre brasileiro, somos aqueles que formam aquela tradicional passeata que anda acompanhando os caminhões dos comícios políticos brasileiros. É claro que uma passeata daquelas só poderia ser formada por gente igual a nós... “Povo pobre brasileiro”, pois vocês nunca vão ver uma passeata política cheia de gente com bandeiras, bombas, cartazes e gritando o nome de um político, formada por gente rica, ou intelectual.
Infelizmente, este é o nosso papel na sociedade brasileira, ser hipnotizados e explorados por políticos e líderes religiosos. Pois até o pouco que conseguimos - com muito trabalho -, é levado por alguém, que te pede para fazer uma oferta para alguma religião milionária. E o pior que a gente ainda faz! É a sina de povo pobre brasileiro. Nunca vai ter o que quer... E dá o que não pode! Fazer o quê? Quanto mais pobre somos, mais acreditamos em tudo.
Nosso sonho é de um dia deixar de morar em favelas, em conjuntos habitacionais, ou em quartos de empregados. Nosso sonho é de um dia ter salário, carro e casa grandes, com geladeiras fartas, alguém para nos servir, acordar um pouco mais tarde, ser comentado na coluna social, ter médico particular, freqüentar iateclubes e ser cortejado por gerentes de banco.
Agora que vocês conhecem um pouco mais da gente... ”Povo pobre brasileiro”, por favor, não discrimine nossa classe, não nos humilhe, nos deem a chance de ter um pouco de conhecimento, pois já estamos bastante cansados desta eterna desigualdade social.