Lúcio Souza Versão para impressão
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Ao chegar aos Estados Unidos, muitos imigrantes só pensam em economizar o que podem para voltar logo ao Brasil. Depois de comprar um carro, alugar um apartamento, mandar algum dinheiro para o Brasil e conhecer algumas cidades turísticas, já começam a mudar o modo de falar dos Estados Unidos. O que era só reclamação, agora tem um pouco de elogios. Eu mesmo já escrevi sobre isso neste espaço, quando eu era ilegal neste país e não podia ir ao Brasil – me sentia um prisioneiro. Então descobri que esta prisão era enorme, da Califórnia a New York; ou da Flórida a Massachussetts, havia muitas coisas para explorar, como museus, parques, praias, além de eventos e muitas outras coisas. Então pensei: “Se aqui é uma prisão, só pode ser de luxo”! O personagem da nossa história de hoje mora no Queens em New York e lê semanalmente o jornal Comunidade News. Ele falou que adora ler as histórias que conto neste editorial semanalmente sobre os imigrantes brasileiros. Conhecemo-nos, almoçamos juntos e, claro, ouvi sua história. Ele diz estar preso aqui há oito anos e sabe que se for ao Brasil, provavelmente não terá outra chance de entrar nos Estados Unidos. Foi conversando com um amigo do Brasil que descobriu: – que ele estava do lado privilegiado. Segundo ele, seu amigo dizia: “Pare de querer vir para o Brasil cara, você aí tem a chance de conhecer Boston, New York, Los Angeles, Miami, Las Vegas, Washington e Disney, lugares que só gente rica aqui no Brasil pode conhecer”. Então ele decidiu parar de reclamar e começou a explorar o que ele chama de prisão. Em três anos já conheceu todas as cidades citadas acima, e ainda tem muitos lugares para conhecer. Conheceu também os cassinos mais famosos dos Estados Unidos, além de conhecer pessoas, que foram muito importantes na melhora dos seus conhecimentos neste país. Hoje, ele praticamente tira três férias por ano, realizando viagens emocionantes. Esta história prova que o imigrante ilegal pode ser muito feliz à sua maneira, visitando lugares maravilhosos aqui nos Estados Unidos, que para muitos brasileiros que estão no Brasil é praticamente impossível. Faça uma pesquisa você mesmo, ligue para alguém no Brasil e pergunte: “Um trabalhador normal do Brasil, teria condições de fazer turismo no Brasil”? Pode até fazer, mas não com as facilidades que nós temos por aqui. Conhecimento é uma das melhores coisas que o ser humano pode investir em si mesmo, não importa a idade, classe, nível social, raça ou aparência – você valerá pelo que sabe! Que vergonha! Um amigo te liga e diz: “Oi, estou indo para New York e gostaria de saber se você poderia me buscar no aeroporto? Como você está aí há nove anos pensei que pudesse me ajudar a conhecer a cidade”. Então você responde: “Desculpa amigo, mas, infelizmente, até hoje não conheço New York”. Olhem a grande diferença, se esta pessoa se legalizar hoje, na outra semana estará indo passear no Brasil, se tem condições de passear no Brasil, porque não passeia por aqui e melhora os seus conhecimentos? Ser ilegal não é defeito, a não ser que você esteja procurando problemas. O ilegal dentro deste país é livre para ir onde quiser, porquanto andar e fazer as coisas certas, ninguém irá perturbá-lo. Espero que o comentário de hoje tenha ajudado em alguma coisa. Já sabe! Durante a semana eu estarei pertinho de você, ouvindo sua história e comentando aqui, para que através dela, outras pessoas possa aprender algo. Obrigado pela atenção. Lúcio Souza (China) Diretor