Lúcio Souza Versão para impressão
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Ser imigrante nos Estados Unidos como a gente é mesmo um luxo, se compararmos com alguns nordestinos que migram para o sul do Brasil. Os nordestinos que migram para São Paulo têm até alguma semelhança com a gente, que está aqui nos Estados Unidos, mas se for comparar de uma forma geral, as desvantagens dos nordestinos na cidade de São Paulo são enormes. Pois é! Hoje vou contar a história de Deilton Loredo de Oliveira, um pedreiro baiano que migrou para São Paulo e trabalhou durante 12 anos para poder criar sua filha, que ficou na Bahia com a avó. Deilton sempre foi considerado uma pessoa honesta, trabalhadora, e, apesar da distância, um ótimo pai. Durante todo tempo que ficou trabalhando duro como pedreiro, e longe da pessoa que mais amava, Deilton conquistou muitos amigos, que se comoviam por ver um pai tão humilde e só pensar no futuro de sua filha, que estava tão longe e ao mesmo tempo tão perto. Um dia Deilton compra um revólver, desses fáceis de comprar no Brasil, para se defender. Em um domingo de folga, o pedreiro discute com um vizinho e como nunca havia brigado com ninguém, ele, na tentativa de amedrontar o oponente, atira para o chão e acerta o sapato do vizinho, ninguém se machucou, mas o vizinho chamou a polícia e Deilton foi preso por porte ilegal de arma. Decepcionado por estar preso em uma penitenciária por tão pouco, e sabendo que não iria poder criar sua filha como tenha feito durante toda sua vida, ele tenta se matar. Lá fora, os amigos ficaram sabendo do seu drama e resolveram ajudá-lo. Fizeram uma vaquinha, como é chamada a pequena ajuda financeira entre amigos, e conseguiram três mil reais, o suficiente para pagar um advogado e tirar o pedreiro do meio de marginais perigosos. Finalmente o advogado consegue provar que Deilton é uma pessoa honesta e precisa responder o processo em liberdade. O juiz aceita o pedido e assim o documento dando vinte e quatro horas para libertar Deilton é expedido. Enquanto os amigos do pedreiro já estavam comemorando e planejando uma festinha para receber o amigo de todos, recebem a informação de um plantão de notícias, que começava uma rebelião de presos na penitenciária, exatamente na área onde o pedreiro se encontrava. Os presos tocaram fogo em colchões e roupas para chamar a atenção da imprensa, a fumaça era intensa dentro das celas e corredores. Quando a polícia conseguiu controlar a situação, descobriram que havia mais de cinco mortos no pavilhão. Os amigos do pedreiro ficaram desesperados torcendo para tudo desse certo para o Deilton, para que ele voltasse a trabalhar e criar sua tão amada filha. Foi através dos jornais que os amigos ficaram sabendo que o pedreiro Deilton teria morrido asfixiado com a forte fumaça na cela. A tristeza foi imensa no bairro onde ele morava, no trabalho, os amigos choravam descontrolados por não ter conseguido libertar um pai tão dedicado. Um dos amigos de construção disse: “O que eu vou dizer para filha dele? Como é que ela vai superar a morte do seu pai que sempre foi um herói para ela?”. Em uma entrevista o juiz diz que lamenta a morte do Deilton, e que tentou fazer justiça, mas infelizmente não aconteceu! A história de hoje foi matéria do Fantástico no último domingo, o Brasil todo viu um pedreiro ser preso por uma simples discussão envolvendo uma arma que não chegou a ferir ninguém. O pobre Deilton teve sua vida toda transformada e logo depois perdeu a mesma por não saber controlar seus impulsos. Agora eu tenho que fazer um comentário: nas penitenciárias brasileiras têm tanto pobre, que fica difícil arrumar espaço para políticos corruptos, empresários safados, filhinhos de papai e outras tranqueiras ricas que têm lá no Brasil. O único jeito de fazer justiça com esses caras citados acima é mandando eles para o lugar de onde eles nunca deveriam ter saído, o inferno! Lúcio Souza (China) Diretor