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Editorial - Lúcio Souza

O pequeno grande Negro

08/10/2011 09:06:47 AM
Editorial - Lúcio Souza

Lúcio Souza

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Depois de um dia bastante movimentado na escola, um pequeno menino chega à sua casa meio que confuso com algumas informações que acabara de aprender. Ao notar certa impaciência nas atitudes do filho, sua mãe inicia uma conversa... “Como foi o seu dia hoje na escola meu filho”? “Ah mãe, ao tentar entender o sistema deste mecanismo chamado planeta humano, fiquei mais confuso do que antes com a explicação da professora”.

“Mãe, que raça nós somos”? “Negra, meu filho”! “Mas mãe, ser negro é ruim”? “Claro que não filho, que conversa é essa”? “É que hoje, na escola, um menino me chamou de negro, e foi duramente punido pelo diretor. Daí o diretor chegou para mim e pediu desculpas por ele, e disse que isso nunca mais iria se repetir”.
Ele também falou que um dia alguém o chamou de gay, e ele não deixou isso barato, logo foi à delegacia e prestou queixa contra o idiota. Mas mãe, depois ele disse que não é pelo fato de ser gay que as pessoas têm o direito de falar mal dele. O que parece mãe, é que nós somos negros, mas não gostamos que as pessoas nos chamem pelo nome da nossa raça, igual o meu professor que é gay, mas não gosta que o chamem disso.

O pobre também não gosta que o chamem de pobre, a mesma coisa acontece com o gordo, o analfabeto, o alcoólatra, a prostituta, o viciado em drogas etc. Por exemplo: se você olhar para alguém feio, ele logo pergunta... O que é que você está olhando? Já se você olhar para alguém bonito, logo ele ou ela se sentirá uma pessoa atraente.
“Mãe, a senhora não acha que essa coisa de não gostar que nos chamem de algo, que na verdade nós somos mesmo, seja um pouco de complexo de inferioridade de cada um de nós? Pois eu nunca vi na escola meu professor se irritar pelo simples fato de alguém o chamar de professor. Eu mesmo lhe confesso que não fiquei ofendido quando meu colega me chamou de negro. Pois mãe, eu sou negro com muito orgulho, e feliz por ser seu filho.

Quem estuda e faz pesquisas, sabe da história do negro no mundo, a evolução e a conquista da nossa raça neste planeta e sabem também que nós temos mais razões para nos orgulhar, do que nos envergonhar. Isso cabe também para os gays - e qualquer outra raça ou classe social.
Sua mãe, neste momento, não se conteve e chorou de emoção, parou um momento e refletiu um pouco sobre a história do negro no mundo. Bastante emocionada, ela olhou bem dentro dos olhos do filho e disse... Meu pequeno grande homem, este mundo tem muito que aprender com esta nova geração. Eu acabei de receber as boas-vindas de um novo mundo que se aproxima, e que neste momento, infelizmente, apenas alguns podem enxergar.

No dia em que todos puderem assumir o que são de verdade, sem a preocupação de tentar adivinhar o que os outros estão pensando a respeito, o mundo será bem mais harmonioso para brancos e negros, índios e amarelos, gordos e magros, ricos e pobres, e eu e você. O maior preconceito está dentro de cada um de nós. Portanto, me ajude a semear pelo mundo o pensamento deste pequeno grande homem, que não se importa que o chamem de negro.

Lúcio Souza

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