Lúcio Souza Versão para impressão
Enviar para um amigo
|
Imagine um profissional voltando para casa, todo feliz por ter realizado um ótimo trabalho. Chegando no bairro onde mora, ao passar nas ruas ele nota que as pessoas o ignoram ou lhe dirigem um olhar de desprezo. E, finalmente, ao entrar em casa, ele se depara com a esposa de braços cruzados e com a cara amarrada, também indignada com o bom desempenho do seu marido no trabalho.
Pois é assim que eu imagino que será a volta para casa do advogado de defesa do caso Nardoni, caso ele consega inocentar Alexandre e Anna Carolina, acusados de espancar e matar a pequena Isabella, de apenas cinco anos. Ela morreu depois de ter sido supostamente jogada da janela do sexto andar, do edifício London, no dia 29 de março de 2008, em São Paulo.
Não acredito que este casal saia impune deste julgamento, que deverá durar quatro dias. Este deve ser um dos maiores julgamentos realizados na história da justiça brasileira, o que para muitos, não precisava tanto. Pois para a maioria dos brasileiros que ficaram chocados com o crime, com tantos fatos bastante claros, não poderá existir argumentos que venham convencer os sete jurados escolhidos pelo tribunal de justiça.
Desde 2008 o advogado de defesa do casal vem recorrendo à justiça, e conseguindo inúmeras vezes adiar o julgamento do casal, na tentativa de que o caso seja esquecido, o que acontece com centenas de outros crimes em todo o Brasil. Que chega a ser um grande absurdo, por parte da justiça brasileira.
Segundo a polícia, a Isabella foi ferida no carro por um objeto pontiagudo, antes mesmo de entrar no edifício. E, para não cair sangue - da garagem até o apartamento - seu pai teria usado uma frauda para estancar o ferimento na testa da Isabella. Já no apartamento a menina teria sido colocada no chão, quando foi asfixiada por sete minutos. As marcas das mãos deixadas no pescoço de Isabella, segundo a polícia, são compatíveis com as de Anna Carolina, madrasta da menina.
A polícia encontrou um rastro de sangue da porta da sala até o quarto dos irmãos, de onde a menina foi jogada. Segundo os peritos, ela ainda estava viva, mas já inconsciente. Isabella caiu no jardim do lado do prédio, e, ao ser encontrada, ainda vivia, mas com fraturas na bacia e no punho direito. Infelizmente ela não suportou os ferimentos, e teria morrido a caminho do hospital.
Bom, daqui a duas semanas vamos finalmente conhecer os verdadeiros culpados pela morte de Isabella, isto se a defesa dos criminosos não adiar o julgamento mais uma vez. Usando aquelas inúmeras brechas que existem na lei brasileira, que faz muitos advogados voltarem para casa, com a consciência pesada por terem inocentado um assassino perigoso, mas ao mesmo tempo, muito felizes por terem realizado seu trabalho com muita competência. Então, vamos torcer para que este advogado faça um péssimo trabalho e, que a Isabela, depois desta queda... Não caia no esquecimento de uma nação. (203) 449-8818, Lúcio (China). Obrigado.