Lúcio Souza Versão para impressão
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Esses dias, a trabalho em Nova Iorque e passando pela Broadway com a 46, encontrei três brasileiros que diziam me conhecer através do jornal. Então pensei: esses caras, com certeza, devem ter uma boa história. Dei uma parada então, para o cachorro quente e, claro, fui trocar idéias com os brazucas. Uma hora de conversa em uma esquina pode ser muito cansativo, se a história que você estiver ouvindo não for interessante, é claro.
Os três brasileiros, que pediram para não ser fotografados, estavam fazendo compras, cheguei a pensar que eles eram turistas, mas o jeito simples de conversar mostrava a verdadeira origem dos nossos amigos. Então perguntei há quantos anos eles estavam nos Estados Unidos. O mais velho de América tinha apenas dois anos, e foi o primeiro a desabafar, - “Tenho 29 anos e cresci ouvindo meus parentes mineiros falarem dos Estados Unidos, tentei a vida por aqui por exigências do meu pai e, neste Natal, volto de vez para o lugar de onde nunca deveria ter saído”. Desabafa o brasileiro, mostrando em uma das mãos a passagem só de ida para o Brasil.
Este ano parece que baterá o recorde de brasileiros deixando os Estados Unidos. Eu sempre fui contra essas decisões precipitadas de alguns brasileiros, que não tenham como voltar se deixarem o país, mas, realmente, tudo tem um limite! Viver escondido sem poder dirigir; toda vez que é parado pela polícia quase tem um enfarte; morar com mais de seis pessoas em um quarto - principalmente quando não se sabem as origens de cada uma destas pessoas - é melhor voltar a ser vaqueiro no interior de Minas, como disse um dos brasileiros lá em Nova Iorque.
Por isso que muitos brasileiros entram em paranóia de fazer dinheiro rápido e voltar logo, ou melhor, fugir para o seu lugar de origem. Hoje, a vida por aqui está mais difícil mesmo, tudo isso graças aos atentados às Torres Gêmeas em 2001, e também a alguns brasileiros e hispânicos que, em seus países, já eram assassinos, ladrões, traficantes e que insistem em matar, roubar e vender drogas por aqui, no meio de uma comunidade que busca realizar sonhos, que infelizmente são interrompidos por causa de influências criminosas.
Voltando aos brazucas que encontrei em Nova Iorque, fico triste por eles terem chegado a este momento de desespero, que atinge tantos imigrantes. Mas mesmo com tantas perseguições aos imigrantes indocumentados, ainda hoje vejo muitos se darem bem por aqui. Por isso mesmo, muitos imigrantes esperam este Natal, com a esperança de começar um novo sonho.
Lúcio Souza (China)
Diretor