Lúcio Souza Versão para impressão
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Amigos leitores, eu peço a atenção de vocês para a história que eu tenho para contar. Isso aconteceu nos anos oitenta e vale a pena escutar. Uma jovem que morava em Nova Iorque, descobriu que seu melhor amigo da época da faculdade, estava morando na Flórida, só não sabia a cidade.
Ela veio para os Estados Unidos na intenção de um dia se legalizar. Como todos os imigrantes por aqui, ela tinha saudades do Brasil e, para a depressão não pegar, ela não parava de trabalhar.
Então aquele amigo da flórida entrou em contato com ela, conversaram bastante e a amizade ficou ainda mais bela. Por lá ele também tinha uma vida cansativa, mas com a descoberta desta amiga, apesar da distância, as expectativas foram melhorando.
Ela contava para ele suas aventuras neste país, ele aproveitava e também comentava “que o importante era ser feliz”. Apesar da grande amizade entre eles, atração nunca existiu, mesmo quando eram crianças, lá no interior do Brasil.
A amizade deles sempre foi pura, daquelas que não tem interesses, e se curtem apenas por gostar da mesma cultura. Mas um belo dia nossa amiga ficou sabendo de uma lei de imigração: alguém falou que era só ficar grávida que ganhava o cartão.
Mas ela não tinha marido nem sequer um namorado, tentava sair com alguém mas tudo dava errado. O tempo foi passando e a vontade de ficar legal aumentando, e um marido em Nova Iorque ela andava procurando.
Então um dia ela cansou, e falando com seu amigo ela desabafou... “Não sabia que era tão difícil um homem encontrar, eles fogem de mim quando falo em me casar, não procuro um homem perfeito, apenas quero um filho pro cartão ter o direito”.
Seu amigo lamentou e falando incentivou “não fique triste, continue procurando alguém, uma mulher bonita sempre se dá bem... pior sou eu minha amiga, que sou ilegal também” daí sua amiga teve uma idéia, de convidar seu amigo para morar na casa dela.
O convite foi o seguinte, “meu amigo venha para cá, vamos ter este filho juntos mesmo sem nos gostar.” Atração não precisa ter, e assim que o bebê nascer, os nossos Green Cards vamos ter.
E não é que o seu amigo aceitou! Para Nova Iorque ele viajou, e a macaca ele arrepiou e sua amiga ele engravidou. Quando o bebê nasceu, na imigração ela apareceu, dizendo que queria se legalizar, e que ela e o pai precisavam do Green Card.
Pois é, trinta anos já se passaram, e mesmo tendo um filho os amigos não se casaram, mas finalmente eles se legalizaram. Quero dar meus parabéns a esta mulher determinada, que no passado conseguiu seu Green Card, para não ser deportada. Ainda hoje não sei sua verdadeira identidade, mas se ela teve uma filha... Só poderia se chamar Liberdade!
Eu sou o Lúcio Souza, e quem me contou esta história foi minha esposa, então pensei... Não vou apenas esta história contar, e para o conto ilustrar, estas rimas eu tive que inventar. Obrigado.