Lúcio Souza Versão para impressão
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Todo dia, ao amanhecer, muitos imigrantes se perguntam: “O que eu vou fazer hoje”? Desempregados há meses, muitos brasileiros desistem de apostar em 2009. O ano está apenas começando e milhares de imigrantes por todos os cantos deste país, ainda não conseguiram se firmar em um emprego.
Mesmo assim, no Brasil ainda é fácil encontrar pessoas que sonham em tentar embarcar, no ainda tão cobiçado sonho americano. Depois da onda de imigrantes adultos que vieram do interior de Minas Gerais e de outros estados, agora cresce o interesse de adolescentes brasileiros em emigrarem para os Estados Unidos.
São centenas de estudantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, tentando tirar o visto de estudante, para estudar em Boston, Nova Iorque, Califórnia e até no Texas. Na última semana, encontrei três jovens que encararam o desafio de sair do Brasil, para tentar oportunidades nas esquinas de Newark, NJ. Aperentando estar na faixa dos vinte anos, eles falaram que os seus planos seriam estudar e trabalhar, mas como a coisa está difícil, os estudos ficaram em segundo plano.
Quem passa também por situação difícil neste momento, são os imigrantes brasileiros que já têm filhos adolescentes aqui, e agora querem voltar para o Brasil por causa do desemprego. Se os filhos já chegaram aos 13 anos, como é que vão se adaptar ao Brasil? “Os meninos não querem nem ouvir falar sobre uma suposta volta ao Brasil”, disse um pai desesperado.
É assim mesmo, é muito difícil encontrar um adolescente, filho de imigrante, que tenha conhecimento de como foi a vida dos seus pais no Brasil. Muitos deles, por ter jogos, quartos equipados, muitas roupas, internet toda hora, boas escolas, comida com fartura, carros bons e uma boa quantia em dinheiro, acham que a vida dos seus pais também foi igual.
Outro dia vi um pai de um adolescente chorar, dizendo: “Nunca achei que fosse um dia, neste país, iria ficar sem dinheiro para comer. Hoje fiz compras com apenas 30 dólares e, pela primeira vez, meu dinheiro não deu para comprar nem mesmo o básico”. Ajudei este desesperado pai e segui viagem para New York pensando em uma música do Fagner que diz: “Um homem também chora, se humilha...e sem o seu trabalho, o homem não tem honra, e sem a sua honra, se morre, se mata... Não dá para ser feliz, infelizmente não dá para ser feliz”! Por hoje é só, espero que os inúmeros adolescentes que agora sonham com este país, tenham bem mais sorte que a personagem de hoje. Qualquer pergunta, pode me ligar, (203) 449-8818, quem sabe um dia eu não possa ouvir sua história e publicá-la por aqui? Obrigado pela atenção e até a próxima.