Lúcio Souza Versão para impressão
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Todos nós temos vícios brasileiros, e não importa quanto tempo as pessoas fiquem fora do Brasil, porque a qualquer hora, a qualquer momento, o brasileiro terá uma recaída. Nós podemos lembrar inúmeros vícios brasileiros neste momento, mas vou citar um, mas que é um pouco chato. Brasileiro tem muito preconceito com algumas classes profissionais, como pedreiro, jardineiro, faxineira e outros que nós conhecemos por aí.
Então achei por certo fazer um comentário nesta página, que é lida por tantos leitores e amigos. No ano de 2000 houve uma festa na cidade de Danbury com o nome de Flash, a festa teve premiação para os melhores da comunidade brasileira da cidade. Foram premiados restaurantes, butiques, salões de beleza, companhias de seguro, agências de automóveis e muitos outros comércios brasileiros da comunidade.
Na época havia um casal que fazia limpeza de casas, e foi escolhido para receber o troféu de melhor do ano, prêmio mais do que justo para brasileiros iguais a eles, que sempre batalharam para crescer na vida. Lembro também de uma pequena companhia de construção, que à época estava apenas começando, e estavam se destacando exatamente por serem tão jovens e tão dedicados.
Na noite da festa do Flash, todos compareceram muito elegantes para a cerimônia, as mulheres como sempre, estavam muito alinhadas com seus vestidos de gala. Os homens também foram em traje a rigor. Em uma confraternização com uma festa deste porte, não estamos ali para criticar a profissão do outro, e sim para receber um prêmio pelo que nós em conjunto fizemos para o crescimento da nossa comunidade.
A pessoa que foi escolhida para ganhar o prêmio de melhor serviço de limpeza do ano foi à festa, levando sua família muito bem vestida, com a intenção de viver uma noite maravilhosa. Pois é! Na hora que o mestre de cerimônias chamou a categoria “house cleaning”, uma menina, que na época trabalhava vendendo seguros, e que estava na mesa ao lado, disse com um ar de deboche: “faxineira recebendo prêmio, era só o que faltava”! A pessoa que estava recebendo o prêmio ouviu, respirou fundo e não olhou para o lado, indo até o palco receber o seu merecido troféu.
Os anos se passaram, e a menina que fez a crítica, continua trabalhando de secretária até hoje. A nossa amiga premiada continua ganhando seus mil e quinhentos dólares por semana como uma simples faxineira, dando emprego para mais de vinte brasileiras, tem uma belíssima casa, seu marido é dono de uma das melhores companhias de jardins no estado de Connecticut, sem falar das propriedades no Brasil. Será que hoje a tal menina seria capaz de criticar uma faxineira?
Na América, as aparências enganam, já conheci arquitetos limpando chão, advogados atendendo em balcões de padaria e até doutor na carpintaria. O vício de avaliar as pessoas pela aparência ou pelo o que ela faz é um grande erro que cometemos aqui nos Estados Unidos. Os nossos amigos pedreiros, carpinteiros, jardineiros, pintores e nossas amigas faxineiras vivem melhor do que muitos americanos neste país. A maior prova disto é saber que esses profissionais, mesmo vivendo ilegais, pagam seus impostos e não precisam do governo como os próprios americanos.
Agora quero dar meus parabéns a todas as mulheres simples que trabalham com limpeza de casas e fazem esta comunidade se movimentar. É isso mesmo, esta comunidade se movimenta através do dinheiro destes profissionais, não existiria empresário nenhum se não houvesse os clientes: o nosso povo!
Lúcio Souza (China)
Diretor