Lúcio Souza Versão para impressão
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Amigos leitores, não se assustem se um dia passar por vocês um monte de brasileiros correndo e gritando “vamos embora”! A situação está tão ruim, que provavelmente alguns vão deixar tudo, para seguir a multidão.
A vida do imigrante chega a ser engraçada, antes era mais fácil conseguir trabalho, e conseqüentemente dinheiro, mas não tínhamos essa variedade de produtos e canais de TV brasileiros, além de jornais, revistas, bons restaurantes, e o Green Card. Hoje temos tudo isso, mas falta o dinheiro, quando é que vamos poder conciliar o útil ao agradável? Enquanto isso não acontece, continuam as mudanças.
Imigrante é igual motorista em trânsito pesado, se a fila dele não anda, logo pensa em passar para outra faixa. Logo agora que a gente só ouve falar bem do Brasil, os Estados Unidos entram em uma recessão, e para quem já vive aqui sofrendo com saudades da família, dificuldades com a comunicação, com o clima, com a discriminação e até com a cultura, não vai pensar duas vezes para embarcar em um desses vôos diários para o Brasil.
Pelo menos o imigrante tem para onde fugir; mas e os americanos? Vão para onde? Pelo jeito vão todos lavar pratos no Mc Donalds, vender café no Dunkin Donuts ou entregar pizzas da Domino’s. Imaginem quantos pratos esses americanos precisariam lavar para encher o tanque de seus carros grandes, é bom eles ir logo se acostumando com a idéia, pois tem uma galera voltando para seu país de origem, logo vão sentir a necessidade de mão-de-obra qualificada para muitos serviços por aqui.
Mas a coisa não é tão ruim assim, há quem diga que ainda vai ficar rico por aqui, e são esses que eu sigo, acho que vale a pena ser otimista, aliás, estamos em um país de Primeiro Mundo, e sempre que vejo algum brasileiro deixar os Estados Unidos, eu fico torcendo para que ele se dê bem por lá, infelizmente são esses brasileiros que servem de cobaia para milhares de outros, que pagaram mais de dez mil dólares para entrar nos Estados Unidos e não querem mais voltar ao Brasil, mesmo sabendo que é de graça.
Conheço um casal brasileiro que passou mais de dez anos pagando aluguel e, quando realizou o sonho de ter uma casa própria, o começo da forte recessão americana, fez com que entregassem o sonho de toda uma vida ao banco, - que recebeu sem nenhuma cerimônia. A sorte deles foi que conseguiram construir um pequeno apartamento em uma pequena cidade no Brasil, para onde voltaram e vivem há três anos. “Este aqui está pago, ninguém toma!” disse o ex-imigrante.