Lúcio Souza Versão para impressão
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Dando seqüência ao editorial da semana passada, no qual falei sobre o início e o crescimento da comunidade de Danbury, começarei agora a relembrar alguns fatos que fizeram esta comunidade chegar aonde chegou. Com as comemorações das últimas copas do mundo de futebol nesta cidade, sem perceber, os brasileiros mostravam às autoridades, que um pedaço do Brasil estava ali, em um dia normal da semana, centenas de brasileiros saíam em fila de carros, praticamente fechando a Main Street. O que para nós era apenas uma comemoração, para as autoridades de uma pacata cidade, um fenômeno no mínimo estranho.
Nessa mesma época, a entrada de imigrantes pela fronteira do México estava altíssima, e os coiotes tiveram a estúpida idéia de dizer aos seus inúmeros clientes, que logo ao atravessar a fronteira, se entregassem aos agentes de imigração, com isso eles arruinaram a vida de milhares de imigrantes que acataram a idéia. Eles atravessavam, se entregavam, marcavam o dia da Corte, mas nunca apareciam, ficavam assim fichados e procurados pela polícia americana. Era fácil encontrar vans chegando lotadas de brasileiros, mexicanos e equatorianos, descarregando na Main Street.
À época, trabalho por aqui tinha de sobra, então todos os imigrantes trabalhavam, ganhavam e gastavam muito bem. Só os imigrantes gastavam milhões de dólares por ano, e todos queriam uma fatia deste bolo, lojas do Dunkin Donuts abriram por todas as partes, o Supermercado AP abriu uma grande filial, também inaugurou o supermercado C Town, mas nenhum deles recebeu tantos imigrantes quanto o X-pect, o Discount. O crescimento da cidade era mesmo uma realidade.
A partir disso, dezenas de empresários empolgados com a quantidade de brasileiros nas ruas e nas lojas, começaram a abrir lojas e mais lojas, em uma concorrência descontrolada, então como não poderia ser diferente, eles mesmos inflacionaram os preços imobiliários da Main Street de uma maneira absurda. Os Bancos então liberaram empréstimos para compra da casa própria para imigrantes que tivessem o Tax ID, então surgiram centenas de novos condomínios por todos os lugares de Danbury, Brookfield, Bethel e New Milford. Ninguém imaginava que pudesse acontecer uma suposta recessão neste país. Para viver nessa cidade, o imigrante só precisava do passaporte, uma carteira internacional e o tal do Tax ID, uma companhia em Connecticut, mas com placas de Massachussetts. O resto era só churrasco, samba e futebol.
A coisa estava tão boa que ninguém notou quando entrou um novo prefeito, um loirinho feio, com cara de albino, que se diz religioso, e com uma fala mansa foi fazendo amizade com alguns brasileiros, visitando igrejas, fingindo gostar de imigrantes, mas, na verdade, só pensava na sua carreira política. Na próxima semana, prometo mostrar para vocês, quem deu o golpe final, bem no peito da comunidade, um golpe baixo que pegou todos os imigrantes desprevenidos. Não percam, até lá!
Lúcio Souza (China)