Lúcio Souza Versão para impressão
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Manhã de segunda-feira, um brasileiro está saindo para procurar trabalho, antes de fechar a porta do seu quarto, ele dá uma olhada com atenção nos seus pertences. No chão, um colchão, cobertor e travesseiro. No canto do quarto, uma mesa bem simples com um PC comprado no brechó, no guarda-roupas, três calças sujas de barro, duas botas de construção, um tênis, uma chuteira e um sapato social para ir à igreja.
Olhou para parede onde estava uma foto com seus dois filhos que vivem no Brasil, olhou para o lixo onde só tinha cartões telefônicos usados, olhou para a bíblia ao lado do colchão, apagou a luz e saiu pensando... Eu não tenho nada, mas tenho tudo de bom nesta vida. Tenho saúde, fé, e dois filhos que precisam de mim, como um homem precisa de um trabalho.
Fechou seu quarto e saiu por aí, à procura de algo para fazer. Andou o dia todo pela cidade procurando trabalho, mas não teve sucesso. Veio então a noite, trazendo em seu rastro mais uma decepção, - a de não ter nada para fazer. Ao ligar o PC, ele tem o cuidado para a câmera não mostrar aos seus filhos o quarto que ele vive, em um país de Primeiro Mundo.
Na manhã seguinte ele recebe uma visita de um hispânico que lhe faz uma proposta, três mil dólares para ir buscar um pacote no estado do Texas. Nossa personagem, o brasileiro, não pensou duas vezes, e aceitou a proposta. Já prevendo o que poderia acontecer, pegou o PC, a foto, o travesseiro e a bíblia, colocou no carro e pegou a estrada rumo ao Texas.
O hispânico já tinha lhe dado a metade do dinheiro, mil e quinhentos dólares e, chegando à metade do caminho, parou para descansar. No pequeno hotel que se hospedou, conheceu uma brasileira, a quem confiou contar a sua história. Dizia ele que estava morrendo de medo de voltar, e não sabia o que fazer para sair deste esquema.
A brasileira o ajudou a encontrar um emprego e apartamento na cidade. Isso foi há seis anos, e a nossa personagem está, financeiramente, muito bem obrigado. Até hoje porém, ele não conseguiu encontrar o hispânico, de quem ele tomou, vamos dizer... emprestado, o dinheiro que mudou a sua vida.
Esta história mostra que nunca é tarde para desistirmos de cometer um erro, ou seja, de se meter em coisas erradas. Se hoje as dívidas nos incomodam, amanhã poderemos resolver com os resultados do trabalho de hoje. Então pegue seu colchão, travesseiro, PC, foto, bíblia e caia na estrada da esperança - sem precisar aceitar nenhuma proposta. Contato (203) 449-8818 – Lúcio (China).