Lúcio Souza Versão para impressão
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No começo dos anos dois mil, duas amigas brasileiras decidiram tentar a vida nos Estados Unidos. Igual a muitos imigrantes, elas tentaram adquirir o visto americano no consulado mais perto, mas, ouviram de uma senhora de aparência branca e voz enrolada: “I’m sorry!”, e voltaram cabisbaixas com aquele banho de água fria, mas não desistiram da idéia de ir para os Estados Unidos.
Então partiram para o plano B, atravessar o deserto entre o México e os Estados Unidos. Ao chegar ao México, uma delas notou que seu corpo bonito estava chamando bastante atenção dos homens. Logo em seguida recebeu uma proposta de um deles para entrar fácil nos Estados Unidos, bastava apenas ficar com este homem que demonstrava ter muito dinheiro.
Ela foi logo discriminada pela amiga, que desejou boa sorte, mas preferia encarar o deserto a se entregar a alguém por dinheiro. – “Isto vai de encontro aos meus princípios”, disse a amiga, indignada com a postura de uma pessoa que ela achava conhecer. Naquele momento, as duas amigas se separaram, mas seus objetivos ainda era viver nos Estados Unidos.
Oito anos se passaram, e o destino fez as duas amigas se encontrar novamente. Este encontro foi no consulado brasileiro em Nova Iorque. A que atravessou o deserto já estava bem casada e com dois filhos, e tudo que conseguiu neste país foi com muita ralação como faxineira. Ajuda sua família no Brasil e tem uma filha na universidade.
Já a outra, aquela que aceitou a cantada do gringo no México, disse que apanhou muito do tal cara, foi forçada a usar drogas pesadas, e ainda trabalhava como dançarina para trazer dinheiro para casa. Quando finalmente ela conseguiu deixar o cara, infelizmente já era dependente química, e por causa das drogas já havia perdido um filho.
Abraçadas em plena Avenida das Américas de esquina com a 46, as duas amigas se despedem pela segunda vez na vida. A faxineira, em meio às lagrimas, diz lamentar a falta de sorte da amiga. A bailarina do prazer, chorando então, repetia as palavras daquela mulher do consulado americano, que de língua enrolada dizia: “I’m sorry!”
As duas amigas então foram se afastando no meio da multidão, desta vez a faxineira sabia que iria enfrentar um caminho bem mais tranquilo que aquele deserto. Enquanto sua amiga dançarina se preparava para mais uma noite de sexo e droga. Meses depois, a faxineira leu em um jornal que uma garota de programa brasileira teria sido encontrada morta em Nova Iorque.
Esta história mostra que os Estados Unidos não mudam ninguém. Os valores e defeitos, às vezes, estão adormecidos dentro de cada um de nós. Acionados, eles podem fazer as pessoas seguirem rumos diferentes na vida. O resultado é que no futuro alguém pode te dar os parabéns! Ou infelizmente te dizer, I’m Sorry!