Lúcio Souza Versão para impressão
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Era uma manhã de quarta-feira, mais precisamente 8 de Março de 2006, e uma mulher brasileira, que há oito anos decidiu imigrar para os Estados Unidos, acorda e se prepara para trabalhar como faz todos os dias. Ao sentar à mesa para tomar o café da manhã, ela leu o Comunidade News e ficou sabendo que aquela quarta-feira era o Dia Internacional da Mulher. Logo ela pensou: “Todas as mulheres são heroínas por tudo que passam”. Então, um filme passou por sua cabeça, pensou na sua vida e tudo que viveu até ali. Ela era rica no Brasil, e morava em São Paulo, Capital, tinha três butiques e ainda um emprego estadual, era casada e tinha dois filhos que não sabiam o que era trabalho. Aos poucos, o marido e os filhos foram acabando com tudo que ela tinha conseguido em toda sua vida. Eles se envolveram com bebidas alcoólicas, jogos, drogas e mulheres, e as coisas estavam de mal a pior a cada dia. Antes do pior acontecer ela deixou o Brasil, vindo trabalhar pesado como faxineira nos Estados Unidos, para pagar a dívidas que eles arrumaram com as farras. Daqui, ela ficou sabendo que as coisas só pioraram, um filho foi preso; o marido foi morto, depois de sofrer um acidente de carro por estar dirigindo bêbado; o outro filho, vive fugindo dos traficantes por não ter como pagar dívidas de drogas. Durante oito anos essa brasileira não conseguiu juntar nada, nem mesmo comprar as coisas que todas as mulheres sentem prazer de comprar. A vida dela é só pagar contas e ajudar familiares no Brasil. Nesta quarta-feira, sentada na sua cozinha ela refletiu sobre tudo, por já ter quarenta e nove anos e não pensar mais em vaidade ou se divertir, ela não tem amigas que possa ligar e desejar feliz Dia Internacional da Mulher. Muito triste por estar sozinha ela chora. Em seguida o telefone toca e ela não atende, a secretária eletrônica atende, era a sua mãe, que diz: “Oi filha, hoje é o nosso dia, só te liguei para te dar os parabéns, quero que saiba o quanto eu sou orgulhosa por você ser minha filha, você é a prova de que as mulheres merecem ser homenageadas todos os dias”. Ela ouviu a mensagem e não quis atender para não mostrar a sua mãe que estava tão triste. Enxugou o rosto, trocou de roupa e decidiu dar a si mesmo aquele dia; como um presente. Foi para o salão e fez tudo que sempre teve vontade de fazer. Logo depois, foi para Nova Iorque fazer as compras que sempre sonhou; nas lojas ela encontrou muitas brasileiras iguais a ela, felizes, simplesmente por estar fazendo o que gostam. Ao retornar para casa, ela ligou para sua mãe e agradeceu a mensagem salvadora. Hoje, quase uma semana depois, ela está vivendo muito feliz por ter descoberto a tempo que ela também tem vida e diz: “As mulheres conseguiram um dia Internacional, isso é muito importante, agora só resta todas elas comemorarem da maneira que elas mais gostam, longe dos fogos e perto das compras, amigas, diversões e de quem elas mais amam”. Hoje mostrei um pouco da história de uma mulher, que iguais a todas, merece ser feliz. Num papo com um amigo, ele me falou que conhece bem as mulheres e sabe onde tudo isso vai parar. Segundo ele, as mulheres são assim, com charme, beleza e delicadeza elas conseguem tudo de nós e, logo depois, elas acham pouco e sabem que com poucos blá, blá blá, conseguem o resto. Ele se refere ao dia Internacional da mulher, diz: “Primeiro foi um dia, podem esperar que vão conseguir uma semana, e logo depois o mês, daqui a pouco não vai ter mais Carnaval, Páscoa, Natal e até mesmo o Réveillon elas vão querer. Elas nunca se contentam”! Claro que tudo isso não passou de uma brincadeira, todos nós homens, temos o maior prazer em realizar os pedidos das nossas esposas, aliás, carnaval, Natal, Páscoa ou qualquer outro feriado não tem graça sem elas. Então só nos resta dar os parabéns pelo dia, semana, mês ou mesmo o Ano Internacional da Mulher. Na verdade nós só queremos ver elas felizes, porque a felicidade delas reflete direto na gente. Estão que sejam felizes, muito felizes! Lúcio Souza (China) Diretor