Lúcio Souza Versão para impressão
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O sonho de muitas crianças é se tornar adulto, e finalmente ser dono do seu nariz; poder fazer as coisas que os seus pais tanto proíbem. O sonho deles, não é muito difícil de realizar-se. Já muitos adultos sonham com o impossível: manterem-se mais jovens a cada dia. Em muitos lugares do Brasil, México, Guatemala, Peru, Equador e outros países latinos, o sonho de muitos adolescentes é atravessar a fronteira dos Estados Unidos à procura de liberdade financeira. Já do outro lado da fronteira, os adolescentes norte-americanos sonham com o encontro anual do outro lado, mais precisamente em Cancun no México. Este encontro, chamado de Spring Brack, que acontece todo ano em março, é um verdadeiro carnaval onde os jovens não permitem a presença dos pais ou alguém que venha proibir alguma coisa. Enquanto isso, muitos adolescentes latinos que têm familiares nos Estados Unidos, por dificuldades financeiras e falta de oportunidades no seu próprio país, arriscam suas vidas atravessando o deserto do México à procura do sonho americano, e do tão cobiçado dólar. O mesmo dólar que os adolescentes norte-americanos gastam se divertindo e realizando seus sonhos, fazendo coisas quase que impossíveis de se fazer perto dos seus pais. As cenas que são liberadas para serem transmitidas nos noticiários e programas como MTV, VH1, CNN, FOX e outros canais americanos já são suficientes para qualquer pai proibir seus filhos de fazer parte desta colônia de férias. Voltando aos nossos adolescentes imigrantes brasileiros, eles queriam pelo menos um número do Social Security para poder usufruir de uma Universidade e poderem provar sua capacidade profissional. É triste para uma criança que cresce nos Estados Unidos, tendo como colegas os americanos, chegar à adolescência e não poder mais acompanhar seus amigos a mais um passo na vida, que é entrar na Universidade! Barrados na Universidade pelo simples motivo de não estarem “legais” no País. Isso é frustrante para qualquer jovem. Agora imaginem o contraste, adolescentes usam as férias em Cancun para terem novas experiências com bebidas alcoólicas, sexo, drogas, saírem sem ter hora para voltar e muitas outras experiências. Enquanto os adolescentes ilegais descobrem por aqui outros tipos de experiências, como trabalhar cedo para ajudar em casa, procurar oportunidade para se legalizar, aperfeiçoar a língua e se adaptar aos costumes americanos. Aos que já estão aqui por muito tempo, é como levar uma flechada no peito, quando seus amigos voltam do tal Spring Brack, cheio de histórias emocionantes. Muitos preferem não contar o verdadeiro motivo de não ter ido juntos com os colegas para Cancun, e ficam nervosos sem motivo com quem eles nunca poderiam ficar. Essa é a vida como ela é, e a travessia da fronteira continuará para sempre realizando sonhos tão supérfluos e outros tão importantes, e nós que já passamos por tantas experiências e conhecemos todas as curvas desta estrada, a única coisa que nos resta fazer é dizer: “Boa sorte, e que Deus os acompanhe”! Lúcio Souza (China) Diretor