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Editorial - Lúcio Souza

Aventuras de um Paraíba

04/29/2009 07:54:03 AM
Editorial - Lúcio Souza

Lúcio Souza

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“A vida aqui só é ruim quando não chove no chão, pois se chover dá de tudo, fartura tem de montão, tomara que chova logo, tomara meu Deus tomara, só deixo meu cariri no último pau de arara”. Pau de Arara é um caminhão com uma grade na carroceria coberta por uma lona, e esse tipos de caminhão foi muito usado nas mudanças dos nordestinos, quando eles abandonaramm o sertão por causa da forte seca.

Os caminhões levavam os retirantes até as grandes cidades do Nordeste, daí surgia outro meio de transporte: os ônibus da empresa Itapemirim que, durante décadas, realizaram o sonho de muitos nordestinos, - o de conhecer e trabalhar no Rio de Janeiro e São Paulo. Muitos deles por lá ficaram, vivendo de lembranças e sonhando em um dia retornar à cidade natal.

Foi em uma dessas aventuras de um Paraíba no Rio de Janeiro, que minha mãe ficou grávida de um dos seus filhos, dando à luz no dia 11 de fevereiro de 1967, na cidade de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro, onde nasci. De volta à Paraíba, cresci ouvindo que na dificuldade, os adultos sempre procuram tentar a sorte em outro lugar.
Então cresci em Guarabira , na Paraíba, me tornei adulto em João Pessoa e há dezessete anos moro em Danbury, e trabalho em Nova Iorque e Nova Jersey, nos Estados Unidos. Foi por estas bandas que eu descobri que o sofrimento dos nordestinos, emigrando para o Rio e São Paulo, não se compara com o de muitos brasileiros que chegam até aqui, que precisam atravessar o deserto do México com os Estados Unidos.

Aqui nos Estados Unidos, tem carioca, mineiro, paranaense, goiano, paulista, gaúcho e paraense etc, que sofrem diariamente com a saudade, a discriminação e a depressão, igualzinho aos nordestinos que vivem no Sul do Brasil. Mas tem uma pequena diferença entre os retirantes nordestinos e os imigrantes daqui. Os nordestinos quando chegam no Sul do país, assumem estar fugindo de uma forte seca e que em sua terra natal eles eram muito simples.

Já os brasileiros que emigram para os Estados Unidos, insistem em dizer que são de “berço” no Brasil, que vieram de famílias importantes, e que viviam bem por lá. Talvez isso seja uma forma de minimizar os sofrimentos desses coitados que aqui vivem. Enganar alguém para se dar bem não é certo, mas muitos fazem por ai. Agora, enganar a si próprio, tentando mostrar o que você nunca foi, é embarcar em uma viagem de ilusão sem fim. Então que fique bem claro: eu, você e todos que vivem aqui nos Estados Unidos, podemos também ser considerados retirantes, mas fugindo de uma grande seca de violência, inflação, desrespeito, corrupção e falta de segurança. Só terminando, “quem deixa a terra natal, em outro lugar não para, só deixo este lugar, com meio milhão de dólares”. Sugestões é só ligar: (203) 449-8818, ou luciochina@msn.com, Lúcio Souza (China). Obrigado pela atenção e até a próxima.

Lúcio Souza

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