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Editorial - Lúcio Souza

Anjo da justiça

08/17/2011 10:25:52 AM
Editorial - Lúcio Souza

Lúcio Souza

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Foi através de um sonho e em forma de luz, que uma pessoa aparentemente normal recebeu um desabafo estranho e anônimo. No meio daquele jato incandescente de luz, uma voz feminina reclamava em tom suave, que teria sido assassinada covardemente por duas pessoas. - Mas o que eu posso fazer? Pergunta a pessoa em sono profundo. - Não sei! A única certeza que eu tenho é que você pode me ouvir. Diz a voz feminina. O sonhador então pergunta: - De onde você veio? - Eu vim desta vida aí, só sei que me assassinaram, agora não sei para onde vou. Como é que você pode me ouvir? Pergunta a voz feminina. - Não sei... E não estou gostando nada disso, não sei quem te assassinou, não sei quem você é, nem mesmo de onde veio, por favor, me deixe dormir em paz. - Claro, vou te deixar em paz, antes quero te dizer algo... Antes de morrer, minha missão era fazer justiça na terra, dava ordem de prisão para aqueles que semeavam o terror pelo mundo. E foi por isso mesmo que eles tiraram a minha vida. Mas por alguma razão vim parar no seu sonho, e espero que isso tenha algum significado científico ou espiritual.
A voz sumiu e a luz se apagou, o silêncio reinou no sonho daquele rapaz.

O dia amanheceu e ele saiu para trabalhar, ao parar na padaria da esquina de sua casa para tomar o café da manhã, coisa que ele fazia todos os dias, uma olhadinha rápida nos destaques dos jornais, ali estava manchete... Mulher é assassinada por dois homens na porta de sua casa. O nervosismo tomou conta dele, ele queria dizer para alguém que tinha sonhado com a pessoa que foi assassinada, mas também pensou nas conseqüências... As pessoas poderiam achar que ele estava com algum problema psiquiátrico, ou querendo aparecer.
Logo foi fazer uma pesquisa na internet, sobre as pessoas que teriam sido assassinadas por assaltos, brigas, emboscadas etc. Ficou decepcionado com a quantidade de pessoas assassinadas apenas naquela noite no Brasil. Foram juízas, delegadas, soldados, advogadas, professoras, prefeitas e ecologistas. Isso fez com que este rapaz voltasse às classes da universidade, e em poucos anos se tornasse mais um defensor da justiça. Se formando em direito e assumindo o cargo de delegado da sua cidade, e depois em um juiz de direito.

Um dia, no meio de um julgamento, o promotor acusou dois homens que, durante anos, teriam cometido vários assassinatos naquela cidade, um deles teria acontecido há quase dez anos. Eles assassinaram covardemente uma juíza, de madrugada. Naquele momento, o jovem juiz tentou ouvir alguma voz, procurou alguma luz naquela sala, e lembrou-se daquela voz feminina que disse... “Por alguma razão vim parar no seu sonho, e espero que isso tenha algum significado científico ou espiritual”.
Ele bateu o martelo, condenando os assassinos à prisão perpétua, olhou para o promotor e disse... Eu queria, neste momento, estar dormindo e, em sono profundo, dizer para aquela luz: descanse em paz, a justiça foi feita. Nada neste mundo é por acaso... Nem mesmo um sonho.

Lúcio Souza

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