Lúcio Souza Versão para impressão
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No último final de semana a polícia da fronteira dos Estados Unidos encontrou uma ossada humana no deserto americano. Junto aos restos mortais, encontraram o passaporte e roupas da mineira da cidade de Ipatinga, Juliana Aparecida, de 29 anos, que tentava entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Segundo sua irmã Adriana, Juliana era dona de um salão de beleza e não estava satisfeita financeiramente. Juliana então, igual a milhares de brasileiros, teria decidido tentar realizar o sonho americano, atravessando o deserto entre o México e os Estados Unidos.
Juliana não foi a primeira brasileira a morrer tentando realizar o sonho de morar nos Estados Unidos, durante anos imigrantes de várias nacionalidades vêm morrendo tentando ultrapassar esta fronteira, os perigos estão por todos os lados, além do calor intenso, existem muitos obstáculos, que até mesmo pessoas bem preparadas fisicamente sentem dificuldades em realizar o feito.
Adriana, irmã da Juliana, faz um alerta: - “O que aconteceu com a minha irmã não foi o primeiro nem será o último caso, isso aí vai acontecer todos os dias, está muito perigoso e não é bom as pessoas ficarem arriscando assim suas vidas. Lá não está fácil, está muito difícil”.
É lamentável saber que uma brasileira perdeu a sua vida tentando entrar aqui, enquanto outros estão simplesmente voltando para o Brasil, fugindo do desemprego americano. A expectativa é que mais de 40 mil brasileiros ilegais deixem os Estados Unidos até o fim deste ano, fugindo do inverno de 2010. São dezenas de pequenas comunidades nos estados de NY, NJ, CT, MA, PE, FL, CA etc., que estão se desmanchando em demanda, contando 2, 3 ou até mesmo 4 mil de cada comunidade, o número pode até superar as previsões.
Na última segunda-feira a Alemanha comemorou a queda do muro de Berlin, a comemoração juntou vários chefes de estado, que montaram um dominó gigante e colorido para simbolizar a queda do muro. Quem esteve lá foi a Secretária de Estado Norte-americano, Hillary Clinton, que disse: a celebração de hoje faz o mundo refletir sobre os muros do século 21. Talvez ela tenha esquecido que seu país continua construindo um muro, exatamente na área onde foi encontrada a ossada da brasileira Juliana nesta semana.
Enquanto você está lendo este texto, centenas de coiotes estão fechando mais um negócio para tentar trazer mais um brasileiro pelo México, resta saber se estes brasileiros estão bem informados das verdadeiras condições de emprego nos Estados Unidos, pois eles podem chegar aqui e acabar vivendo como escravos de uma dívida sem fim, com um detalhe, se não a pagarem, podem ser ameaçados de morte pela máfia da travessia.
Aos familiares da Juliana deixo aqui meus pêsames, aos que estão por vir, boa sorte, a vocês leitores, uma ótima semana. Se quiserem falar comigo, meu número: (203) 449-8818 Lúcio Souza (China), às ordens.