Lúcio Souza Versão para impressão
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Vá tentar entender este mundo... Imaginem um grande fazendeiro na região amazônica brasileira. Milionário, conseguiu todo este dinheiro desmatando uma parte da maior floresta tropical do planeta. Hoje é poderoso, e diz ser brasileiro de coração, dono de muita terra, muito gado, mansões lindas, carros sofisticados e luxuosos, mulheres maravilhosas e muitos jagunços para lhe proteger. Antes era um humilde garoto filho de um pequeno agricultor da região. Hoje, com tanto poder, poderia investir uma parte da sua fortuna, desfazendo um pouco aquela imagem de devastação ambiental, criada pelas suas serras elétricas, e que o transformou em um dos homens mais rico da região.
Não! Um homem assim já se sente muito importante para a região, pelo simples fato de dar emprego a centenas de homens, sem nenhum grau de escolaridade, sem nenhuma base de conhecimento, sem nenhuma capacidade de procurar uma coisa melhor. E daí, eles se entregam ao trabalho escravo, dependente, sofrido e discriminado por aqueles que já aprenderam o grande significado de uma floresta chamada Amazônia. Então de repente surge uma mulher falando uma língua no mínimo estranha, ela não é brasileira urbana, muito menos índia tupi guarani, ela veio de longe atraída por um mar verde, que o mundo aprendeu a chamar de “A floresta da chuva’’ com pouco tempo ela descobriu que suas idéias não eram correspondidas por alguns patrões da região.
A conversa de tentar conservar a maior floresta do mundo, era a mesma coisa que você chegar à frente de um fazendeiro poderoso e falar mal dele, usando as piores palavras do seu vocabulário. Claro, seria providenciar seu suicídio. Ela logo notou que seus aliados, além de serem poucos e medrosos, temiam iguais passarinhos assustados, pois eles já tinham visto horrores na região, e não queriam presenciar mais violência naquela cidade. Como não poderia ser diferente, ela foi assassinada por capangas de um poderoso fazendeiro mas, antes dela morrer, olhou para alguns capangas e disse: Diga ao seu chefe que um dia ele haverá de sentir falta de alguma preciosidade desta floresta, que eu estava apenas protegendo de uma suposta extinção.
Os anos se passaram. Um dia, a mãe deste fazendeiro tão poderoso, que ele amava como nada nesta vida, passou mal e precisava urgentemente de uma planta que sempre a salvava dessas crises. Seu vaqueiro então saiu desesperado procurando a tal planta, pois sabia que se não voltasse com algo que salvasse a mãe do seu chefe... Talvez ele também fosse junto, pois seu chefe o mataria por incompetência. O vaqueiro usou cavalo, carro e até avião por toda Amazônia procurando esta bendita planta. Sem sucesso. Apenas encontrou um velho curandeiro que lhe disse: Graças a esses desmatamentos na floresta, esta planta está extinta há quase cinco anos.
Ao receber a notícia o fazendeiro lamentou, e presenciou o falecimento de sua mãe sem poder fazer nada. Naquele momento, se ele pudesse, trocaria toda sua fortuna por aquela erva milagrosa, para aliviar a dor e o sofrimento da pessoa que ele mais amava neste mundo. É isso, dinheiro não traz... Nem manda buscar a felicidade.