Breno da Mata Versão para impressão
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Dizem que “o que os olhos não vêem, o coração não sente”.
A frase pode ser um clichê antigo, mas ainda serve para retratar muitas ocasiões de nossas vidas.
Em 2007 eu ajudei na iniciativa de reunir um grupo de empresários e comerciantes locais para, juntos, combatermos os ataques vindos do prefeito Mark Boughton contra a comunidade latina.
O objetivo era mostrar a força dos brasileiros que estão neste país produzindo, gerando empregos, pagando impostos, comprando imóveis, enfim, ajudando a construir, não destruir como parece pensar as autoridades locais.
Infelizmente a iniciativa não teve êxito.
A economia, à época, ainda não havia mostrado sinais de enfraquecimento. O mercado imobiliário seguia forte. As casas de show, restaurantes, pizzarias, agências de seguro e lojas de remessas pareciam não ter o que reclamar.
Os comerciantes estavam mais preocupados em ganhar o dinheiro imediato do que doar algumas horas por semana para uma causa coletiva.
Nosso oponente, entretanto, seguia trabalhando por trás das cortinas, protegido pelo cargo e amparado por pessoas que, assim como ele, via na presença dos hispânicos e brasileiros, um tumor que deveria ser retirado.
Como comunidade, perdemos a chance de ter evitado muito dos problemas que hoje vivemos.
Poderíamos ter tido tempo para mostrar, em números, que não somos uma comunidade de criminosos, como eles pensam, e que, surpreendentemente, alguns brasileiros concordam.
Poderíamos ter tido tempo para mostrar que, se alguns de nós comete algum delito, ele faz parte da exceção, não da regra, pois a maioria absoluta são pessoas de bem, que trabalha para sustentar suas famílias com dignidade e honestidade.
Também teríamos tempo para mostrar que, como comerciantes e empresários temos o direito de exigir respeito, na medida que pagamos impostos e contribuímos para a sustentação da economia local.
Mais, teríamos tido tempo para provar que, se dirigimos sem carteira, é porque as leis assim nos forçam. Se estamos indocumentados não é por vontade própria, pois ninguém escolhe viver com medo. Mas sim por causa de um sistema falido que penaliza as pessoas com processo intermináveis.
Esta guerra parecer ter ficado mais difícil de ser vencida, pois nós mesmos escolhemos não lutar, na ilusão de que nada de ruim iria acontecer.
Mas aconteceu.
Agora, o que vemos são estes mesmos comerciantes e empresários à porta do desespero com a iminente aprovação de uma lei anti-imigrante que está afugentando os brasileiros da cidade.
A solução de antes é a mesma de hoje. União.
Apesar das condições mais adversas, talvez tenhamos mais sucesso em fazer a comunidade entender isso.
Hoje os olhos vêem e o coração (bolso/medo) sente.
Um grande abraço,