Breno da Mata Versão para impressão
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Se me fosse pedido para apontar os principais problemas que se abatem sobre a comunidade brasileira, problemas estes que atravancam e impedem que tenhamos uma comunidade no sentido exato da palavra, eu não titubearia em responder imediatamente que é a ganância de muitos, o jogo de interesse de outros e a falsidade da maioria.
A primeira razão para o pandemônio reinante, é que, apesar de estarmos distantes de nosso país, vivemos como se dependêssemos de matar um leão por dia para sobreviver. Cada qual defendendo o seu próprio interesse da forma mais nociva que possa existir.
Muitos vivem hoje como uma pessoa que aboliu, a priori, a diferença entre signo e significado, entre as palavras e as coisas, entre o que as palavras dizem e as palavras mesmas.
Muitos são capazes de caminhar por proposições hipotéticas. Quando se depara com algo que parece lhe dizer respeito, este algo sempre lhe dá a medida de sua própria ignorância, e as coisas mais simples acabam ganhando proporções gigantescas e mistificadas.
Quando se atinge este estágio, não há mais como descer. Chegamos no fundo do poço. A partir daí tudo parece normal. “Amigos” são atirados à cova dos leões numa naturalidade que lembra a Roma antiga. Você é julgado, condenado e executado sem ter a mínima chance de defesa.
Interesses são colocados acima de valores morais e éticos.
Para ser uma pessoa querida e respeitada, você precisa abdicar do que você é de verdade e se transformar naquilo que as pessoas querem que você seja. Dá-se mais valor à embalagem do que o conteúdo. Você vale pelo que parece ser, não pelo que é de verdade.
Pode ser idealismo, mas eu ainda acredito que devemos ser nós mesmos e esperar que as pessoas gostem ou desgostem de você pelo que é.
Mas agir desta forma, infelizmente, ainda causa mais tristezas do que alegrias.
Que a vida é uma luta diária, todo mundo sabe. Mas algumas coisas frustram tanto que nos fazem pensar até que ponto certas lutas valem o esforço. A utopia de fazer o certo nos leva a frustrações quando chegamos a conclusão de que remar contra a maré nem sempre é possível.
Um grande abraço,