Breno da Mata Versão para impressão
Enviar para um amigo
|
Finalmente quem vive na região conhecida como Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, aposenta temporariamente as roupas de frio e com elas a depressão de inverno que consome o bom humor e o ânimo até dos mais otimistas.
O fenômeno tem até nome: Winter Blues, ou Depressão de Inverno. A causa, dizem os especialistas, é o longo período de tempo com pouca exposição ao sol durante os curtos dias do inverno.
Se para o americano, que nasce e cresce se acostumando com os longos invernos, o fenômeno é comum, para o brasileiro acostumado a 10 meses de calor no Brasil a situação se torna quase que insuportável.
Não por acaso, observamos durante os meses de novembro a fevereiro uma verdadeira onda de brasileiros se preparando para voltar ao Brasil. Temporariamente para aqueles que podem e definitivamente para os que ainda não.
Os nativos de países tropicais, como nós, podem até reclamar do calor que somos expostos no Brasil. Mas é vivendo debaixo de sete meses de frio que a famosa frase “éramos felizes e não sabíamos” passa a fazer mais sentido.
Não é somente o frio, mas a falta de trabalho que muitos enfrentam, contribui fortemente para isso. A recessão, do último inverno, fez deste o pior que muitos brasileiros já enfrentaram. Sorte tem os ursos, que tem o privilégio de dormir durante toda a estação e escapar do Winter Blues. Mas como eles não pagam aluguel nem conta de luz, a coisa fica mais fácil.
Tenho a impressão de que se o frio durasse mais um mês, muitos americanos iriam ter que aprender a cortar a própria grama e a limpar o próprio banheiro.
Observamos que não temos tendências “esquimonianas” no sangue com a chegada do calor e da abundância de dias ensolarados.
Por uns míseros cinco meses esquecemos de todos os problemas. A praia, os churrascos nos finais de semana e as caminhadas de bermuda na rua nos aliviam de uma agonia que parecia não ter mais fim.
Voltamos a viver, pelo menos até final de setembro, quando tudo recomeça, inclusive o desejo de que este seja o último.
Um abraço,