Breno da Mata Versão para impressão
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Olhando pelo aspecto histórico, o que está acontecendo hoje nos Estados Unidos, e Danbury não é exceção, mostra que a história da imigração neste país se repete de tempos em tempos.
Os americanos, de uma forma geral, têm medo dos estrangeiros. Talvez não menos do que outros países, mas paradoxalmente seja o pior, se olharmos a história desta nação que foi construída por imigrantes.
A sociedade americana tem um histórico de tratamento dos estrangeiros que mostra como, de fato, existe uma rejeição a toda onda de imigração que o país já assistiu.
O que a nova geração de imigrantes enfrenta, e que as mais antigas já enfrentaram, é apenas uma repetição do que aconteceu com os negros, por exemplo.
Antes mesmo de serem considerados afro-americanos, eles foram demonizados e colocados numa posição de sub-humanos, justificando a escravidão.
Mesmo depois da abolição da escravatura, levou-se mais de cem anos para que eles fossem reconhecidos como parte da sociedade.
Durante a história recente do país, palavras de ódio foram e continuam sendo usadas, para demonizar um grupo particular de imigrantes.
Os alemães sofreram as mesmas perseguições quando começaram a emigrar para os Estados Unidos.
Benjamin Franklin, um dos fundadores da democracia americana, disse que os alemães, devido à sua cultura estranha, a sua língua totalmente diferente, nunca se integrariam à vida norte-americana.
Os irlandeses, que hoje até possuem um feriado nacional em homenagem a eles, o Saint Patrick’s Day, foram um dia discriminados e tão severamente perseguidos, que a eles eram negados até oportunidades básicas de empregos. Era comum que na porta das lojas e empresas se colocasse um cartaz que dizia: “No Irish Need Apply”. (nenhum irlandês precisa aplicar).
No final do século 19 os orientais que viviam nos EUA eram tratados do mesmo jeito. Mesmo ajudando a construir as estradas de ferro do oeste, eles eram chamados de “pele amarela”, tendo negados o direito de votar e até possuir propriedades.
O racismo contra eles chegou ao ponto máximo durante a Segunda Guerra Mundial, quando foram colocados em campos de prisioneiros de guerra, aqui mesmo nos EUA.
Olhando para este passado, podemos entender que os acontecimentos de hoje contra a comunidade hispânica são apenas repetição da demonização de outras comunidades, agora numa perspectiva moderna.
A retórica das palavras-chave usadas continua a trazer o mesmo efeito nefasto de antes. “Aliens”, “illegals”, “brown people”.
Triste mesmo é ver que estes que hoje atacam e acusam, são descendentes dos que sofreram as mesmas perseguições no passado.
Infelizmente, a sociedade americana foi incapaz de aprender com os seus próprios erros.
Um grande abraço,