Breno da Mata Versão para impressão
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A crise na qual a igreja católica se vê envolvida, tem colocado muitos, erroneamente, a questionar a validade da sua fé cristã. Os crimes de pedofilia cometidos por sacerdotes trazem a questão à tona, mas deveriam ser colocados em patamares diferentes.
Por um lado temos uma igreja milenar que, ao longo da história, cometeu toda sorte de erros, injustiças e atrocidades. A inquisição talvez seja o maior exemplo de um período negro da igreja.
De outro, a mensagem deixada por Jesus. Seus ensinamentos e seus inúmeros exemplos que servem de base para que possamos viver em paz uns com os outros.
O Vaticano tem a oportunidade ímpar de, à luz da enorme divulgação por parte da mídia, promover mudanças profundas dentro da sua instituição. Admitir a falta, investigar com seriedade e firmeza e tomar as providências cabíveis, seria a resposta que falta aos católicos de todo o mundo.
O crime de pedofilia ocorre dentro da igreja católica, do mesmo modo que acontece nas demais igrejas e entidades religiosas. Acontece também na casa do vizinho, nas escolas, nas famílias. Reconhecer o problema e enfrentá-lo de forma dura e imparcial é o que todos esperam.
Quanto à igreja, porém, espera-se mais, uma vez que ela própria se apresenta como referência moral. O mínimo que se exige, portanto, é que a Igreja, agora sem mais desculpas, enfrente o assunto com rigor e coerência.
Varrer para baixo do tapete os problemas em nome de proteger a imagem da instituição, tem causado mais danos do que benefícios. Essa atitude vem provocando uma debandada de fiéis para outras religiões, ou pior ainda, para o ateísmo puro e simples.
Mas as mudanças não devem se limitar à punição pura e simples. É preciso, agora mais do que nunca, promover uma profunda reforma que se inicie nos seminários.
Durante o período de preparação e escolha de seus representantes, a igreja deve usar de firmeza para, se preciso, cortar o mal pela raiz.
Um abraço,