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Editorial - Breno da Mata

The book is on the table

06/04/2008 10:32:24 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Outro dia me deparei com uma entrevista do jornalista e escritor norte-americano Seth Kugel, no programa do Jô Soares.

Falando português fluente, Seth, ou “sete” como ele próprio é chamado erroneamente pelos brasileiros, falava da sua aventura que o levou a aprender português num curto período de tempo.

A imersão no idioma através de rádios brasileiras online e uma viagem que fez pelo Rio Amazonas, foram o suficiente para que ele dominasse o idioma de Camões.

Segundo ele, os brasileiros têm muita dificuldade na pronúncia correta das palavras em inglês e que conhece muitas pessoas que moram há anos nos EUA sem aprender o idioma.

A declaração, para quem está no Brasil e não conhece a realidade da nossa comunidade, parecia estapafúrdia.

Como alguém pode viver anos em outro país e não aprender a língua?

Olhando à nossa volta, percebemos que, além de possível é comum.

Deixando de lado as dificuldades que a vida impõe à maioria dos brasileiros (onde as longas horas de trabalho deixam pouca margem e disposição para se enfrentar um banco de escola) é necessário reconhecer que pouco ou nada se faz para assimilar o idioma.

O ser humano é comodista por natureza. Sempre escolhemos o que é mais fácil para nós.

Fazer algum tipo de esforço, seja ele qual for, está fora dos planos.

Não discrimino quem não aprendeu, mas tomo a liberdade de criticar aqueles que, com um mínimo de esforço, poderiam aumentar as chances de assimilar o idioma.

Quem, por exemplo, abre mão da novela das oito por um programa na televisão americana? Será que você consegue deixar o CD do seu artista preferido de lado para ouvir o rádio?

Mas para que se aborrecer? O mercadinho, restaurante, loja e oficina mecânica são todos brasileiros.

Vive-se num Brasil dentro dos EUA.

Quando a situação aperta, e a necessidade de se comunicar se faz presente, sempre tem um marido, namorado, amigo ou, melhor ainda, o filho que cursa a High School e domina perfeitamente o inglês, para quebrar o galho.

E, se um dia você voltar para o Brasil, não tem problema, pois o Hi e Bye serão suficientes para enganar os parentes e amigos de que você aprendeu muito bem o “ingrês”.


Um grande abraço,

Breno da Mata

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