Breno da Mata Versão para impressão
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A era digital na qual estamos vivenciando, nos traz benefícios que, a bem da verdade, falta muito na vida real. As redes sociais aproximaram as pessoas, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, as afastam.
Podemos estar em contato com familiares e amigos com o apertar de um clique do mouse. Da mesma forma que eliminamos da nossa convivência virtual aqueles que não queremos mais por perto. Seria muito bom se pudéssemos fazer o mesmo na vida real, pois a quantidade de futilidades e idiotices que estamos sujeitos no dia a dia é revoltante.
Vez por outra recebo na minha caixa de email algum texto que circula pela internet que me dá vontade de levantar da cadeira e ir até a pessoa que o enviou para dizer na cara algumas verdades. Como isso não é possível, dado muitas vezes a distância que nos separa, me contento em apenas responder ou ignorar totalmente.
O último, e o mais revoltante que recebi, faz uma chacota com a doença do ex-presidente Lula. O texto, claramente escrito por uma pessoa que não gosta do PT e do Lula, sugeria que ele se tratasse pelo SUS.
Em uma primeira análise, é de se pensar que todos têm o direito de sugerir o que bem entendem pela internet. São justiceiros que usam - muitas vezes anonimamente - frases prontas de revolta, criando, ou tentando criar, uma revolução que não vai além de arremessar aviões de papéis em prédios de concreto.
A indignação seletiva somente existe quando um partido ou figura pública adversária está na mira. Estas pessoas que nunca na vida se preocuparam com o sistema de saúde pública, agora repentinamente, se veem revoltadas com a situação atual.
Usar o momento mais difícil da vida de uma pessoa, qualquer pessoa, para ataques de qualquer natureza, depõem contra quem ataca.
Falta sensibilidade, bom senso e, acima de tudo, humanidade. Mas isso é artigo em falta no mercado. A internet deu voz a toda espécie de idiota que aproveita da facilidade de um clique para espalhar sua ignorância para o mundo.
A pergunta que deixo, para aqueles que não respeitam o momento frágil do ex-presidente, é: você gostaria de estar no lugar dele?
Um abraço,