Breno da Mata Versão para impressão
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Os Estados Unidos vivem um momento realmente conturbado. Não é apenas no aspecto econômico que o país mais poderoso do mundo anda tendo uma crise de identidade.
Dez anos depois do início da guerra do Iraque, que se estendeu para o Afeganistão, há pouco consenso interno sobre o que deveria ser feito.
Para muitas pessoas, a guerra apenas serviu para consumir trilhões de dólares e empurrar o país para um abismo financeiro somente visto na década de 1930, durante a Grande Depressão.
Wall Street também leva sua grande parcela de culpa na atual crise. Os maiores bancos do país, assim como outras empresas que atuavam no mercado imobiliário, deixaram milhões de famílias sem suas casas e muitos sem até mesmo um lugar para trabalhar.
Porém, ao contrário da cultura brasileira de reclamar e nada fazer para promover uma mudança, milhares de norte-americanos estão há semanas protestando na Wall Street em Nova York. O movimento já começa a se alastrar pelo país e ganhar as ruas de Washington D.C. e até de Hartford, capital de Connecticut.
Este é apenas um dos aspectos de turbulência em que se vive o país.
No campo imigratório não está sendo nada melhor.
O contraste entre políticas estaduais deixa o mais atento imigrante desnorteado sem saber o que pensar.
No Alabama, onde o estado aprovou a mais dura lei anti-imigrante do país, muitos imigrantes indocumentados estão tomando medidas radicais para proteger seus filhos norte-americanos.
Apavorados com a possibilidade de serem deportados a qualquer momento, pais estão fazendo procurações deixando a guarda dos filhos com parentes, amigos e até conhecidos. Temem ser jogados atrás das grades e deportados sem mesmo ter a chance de despedir dos rebentos.
Nas escolas, milhares de crianças não compareceram ao início das aulas depois que a lei entrou em vigor. A lei exige que as escolas chequem o status imigratório dos alunos.
Indo em sentido totalmente oposto, a cidade de Dayton em Ohio, irá aprovar uma série de medidas para incentivar os imigrantes a se mudarem para lá. O motivo seria o declínio acentuado da população nos últimos anos.
O que fica de lição é que os imigrantes são tratados como mercadorias neste país. São bem ou mal recebidos de acordo com os interesses financeiros.
Não existe política baseada em preocupações socioeconômicas ou humanas do ponto de vista do imigrante.
Somos apenas ferramentas usadas para conseguir um resultado final que satisfaça apenas os EUA. E quando não há mais uso para esta ferramenta, ela é descartada de forma fria e impiedosa.
Um abraço,