Breno da Mata Versão para impressão
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Com a proximidade do fim do ano, cresce o número de brasileiros que estão entrando num avião rumo ao Brasil sem passagem de volta. Não existem números oficiais, mas quem trabalha no ramo de venda de passagem afirma que a quantidade é sem precedentes.
Segundo um pastor, este número é de 1.200 apenas em Danbury. Exagero ou não, o fato é que as pessoas estão mesmo deixando o sonho americano para trás. Os principais motivos apontados pela maioria é a falta de trabalho, incerteza no amanhã e desilusão quanto a uma possível reforma imigratória.
É cada vez mais difícil encontrar alguém que não está indo embora ou planejando o retorno em um período curto de tempo. Já não se escuta tanto a frase “daqui não saio tão cedo”.
O mesmo motivo que trouxe a esmagadora maioria para este país, está o levando de volta. Sem emprego não existe possibilidade de manter o sonho vivo de um futuro melhor. Este é, e sempre será a principal razão pelo qual o ser humano deixa o seu país de origem e se aventura em terras estranhas.
O sentimento geral faz coro com aqueles que já se decidiram. Enquanto alguns estão indo conscientes de que chegou a hora, tendo-se preparado durante anos para isso, outros voltam com a incerteza no coração. Mesmo sendo o que sempre desejaram, talvez ainda fosse necessário esperar um pouco mais. Porém as opções são poucas.
Motivos à parte, os Estados Unidos experimentam pela primeira vez em décadas a diminuição drástica na imigração, legal e ilegal.
Ironicamente, um certo número de brasileiros pensa que este fenômeno é bom pois “sobraria mais empregos” numa eventual melhora do cenário econômico.
Este pensamento egocêntrico, típico de quem depende do infortúnio alheio para se dar bem, coincide com o mesmo pensamento racista dos anti-imigrantes que pensam que os seus postos de trabalho estão sendo ameaçados pelos estrangeiros.
Mas o que ameaça mesmo o emprego não é a “concorrência”, mas sim a própria incompetência.
E contra isso não há lei que resolva.
Um abraço.