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A polêmica criada pelo cônsul geral do Brasil em Nova York, o embaixador Júlio César Gomes dos Santos, sem querer trouxe à superfície uma questão na qual nos debatemos freqüentemente: ser latino ou hispânico nos Estados Unidos faz alguma diferença para os norte-americanos? A antropóloga Bernadete Bezerra, que fez seu doutorado na Califórnia, diz que não. Segundo ela, mesmo que os indivíduos de pele clara e melhor posição social possam negociar mais facilmente a identidade dos que possuem pele mais escura e pertençam as classes menos privilegiadas da sociedade, no final das contas “seja como latino, nos Estados Unidos, ou nordestino, em São Paulo, a vida é sempre mais fácil para os que têm pele mais clara e mais dinheiro”. A argumentação se baseia na crença colonialista e racista que fazem os americanos terem este sentimento de superioridade em relação aos outros países, com mais intensidade sobre os do chamado Terceiro Mundo, no qual todos nós abaixo da Linha do Equador nos encontramos. Sendo assim, do ponto de vista do colonizador, portanto, pouco importa a nacionalidade de cada “latino”. Brasileiro, argentino, chileno, mexicano e dominicano são todos iguais. Este sentimento, que a princípio parece racista, é freqüentemente encontrado dentro da nossa própria comunidade, vide exemplo do cônsul. Muitos brasileiros recusam a comparação com os hispânicos por terem a idéia pré-estabelecida de um povo “feio e pobre”. Basta ver a reação dos brasileiros quando algum americano tenta se comunicar em espanhol. A infeliz frase do cônsul, quando coloca os hispânicos como “cucarachos” e portanto pertencente a uma classe inferior perante os olhos dos norte-americanos, é antes de tudo uma afirmação maniqueísta onde a idéia de unidade está ausente. Quando o jogador Edmundo chamou um juiz de “paraíba” com o intuito de ofender, ele reagiu como milhares de pessoas fazem todos os dias no Rio de Janeiro, onde aqueles que emigraram do nordeste são tratados de forma discriminatória. Se dentro do próprio país existe discriminação daquelas pessoas oriundas de regiões menos favorecidas, não é de se estranhar que em países ricos, o mesmo aconteça com os imigrantes pobres. A nossa posição como imigrantes, de uma forma ou de outra, não mudará os conceitos que sempre teremos. O que de fato irá tornar a nossa “estadia” menos problemática é a conduta individual de cada um. Na medida em que agirmos de forma adequada às normas e cultura do país, certamente estaremos de fato nos adaptando e tornando a nossa aceitação menos traumática. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor