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Editorial - Breno da Mata

Saudade

12/23/2010 08:10:34 PM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Parece frase pronta ou algum clichê, mas ir ao Brasil é sinônimo de crônica de viagem. Irresistível não fazer. Chegar ao Brasil, depois de muitos anos, nos faz pensar e observar cada detalhe. Cada coisa tem um significado especial e diferente quando o caminho tomado nos leva à nossa casa, que há muito ficou para trás.
Daquela sobrinha que não vimos nascer e que agora já fala mais do que a Emília, à casa onde se foi criado. Da rua onde se brincava de pega-esconde, à escola onde se aprendeu a ler as primeiras palavras. Dos pais, filhos, irmãos, primos, amigos e aquele tio que antes se achava chato, mas que até dele se sente falta. Da cidade onde cada rua, cada praça, cada esquina tem uma lembrança, mesmo que para outros seja apenas uma cidade qualquer. Dos cheiros, gostos, clima, cores e sons dos quais se passa muito tempo longe. Mas que permanecem todo tempo ao seu lado, não importa onde você esteja.
Dizem que o imigrante brasileiro é um saudosista. Mesmo vivendo por anos e anos fora, nunca deixa de pensar em voltar. O corpo em um lugar mas o coração em outro. Expressamos com uma palavra única que não existe em outro idioma: saudade. Nada de “I miss” como dizem na língua inglesa. Nem mesmo o “home sick”, expressão também usada pelos norte-americanos, pode traduzir este sentimento. É saudade. Fácil para nós de entender, porém difícil de explicar.
No avião, ao entrar em território brasileiro, olho pela janela e vejo que tudo é diferente. As nuvens densas que tampavam minha visão, cedem e dão lugar às ruas, prédios, campinhos de futebol espalhados por cada esquina. O clima é outro e não estou falando apenas da temperatura. Dezembro é mês de Natal, luzes, alegria. Mesmo com pouco, o brasileiro é feliz. Busca em cada pequeno momento uma razão para sorrir e agradecer.
No iPod coloco a música Nuvem Passageira, de Hermes Aquino. Minha primeira memória musical, de quando tinha 11 ou 12 anos. Música que guardo apenas para ocasiões muito especiais. Lembro de minha infância, quando brincava no quintal de casa enquanto minha mãe ouvia a música em seu radinho de pilha. Fico emocionado.
A emoção é justificável e ao mesmo tempo diferente de outras que sinto, e eu nem sei bem dizer o porquê. Mais uma vez, não dá pra explicar a saudade. Talvez seja realmente muito complexo. Ou talvez seja apenas isso mesmo. Apenas saudade.

Feliz Natal!

Breno da Mata

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