Breno da Mata Versão para impressão
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Para muitos dos brasileiros que vivem fora do Brasil, o tema relacionado ao racismo e segregação tem uma importância fundamental, pois acredito que todos, sem exceção, ou sofreram na própria pele ou conhecem alguém que passou pela humilhação de ser discriminado.
Pois bem, com a vitória de Dilma, uma onda de mensagens de cunho regionalista preconceituoso tem gerado grande polêmica no Brasil.
O palco para as manifestações foi o microblog Twitter. A protagonista foi a estudante de direito de São Paulo Mayara Petruso. Ela publicou a seguinte frase: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP. Mate um nordestino afogado”.
A manifestação pública de racismo, por mais absurda que possa parecer, levou várias pessoas a seguirem o mal exemplo da jovem. A reação destas pessoas, que entre outras coisas disseram que o sul e sudeste deveriam se separar do norte e nordeste, no fundo mostram o pensamento arcaico de uma parte da população de São Paulo, revoltados com a eleição de Dilma.
Com um perfil falso, uma apresentadora de um programa humorístico escreveu: “Gente, o que nois do Sul/Sudeste estamos fazendo no twitter? vamos trabalhar pra sustentar mais 4 anos de Bolsa Família do Norte/Nordeste” (sic).
Felizmente o caso está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo e a jovem poderá responder por preconceito, que no Brasil é crime. Todos os demais que a seguiram e também postaram mensagens racistas também estão sob investigação.
O mais irônico neste triste episódio é que, mesmo se o nordeste fosse excluído das eleições, Dilma ainda seria eleita presidente.
Se fossem computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-oeste, Dilma venceria com 33.247.650 votos contra 32.972.526 votos de José Serra.
As pessoas que apenas usaram o subterfúgio da política para expressar seu bairrismo contra os nordestinos. Não sei se eles merecem a nossa revolta ou piedade pelo que fizeram. Mas com certeza merecem a punição da justiça. De resto a humilhação pública dará conta de mostrar que o Brasil mudou e que não é apenas de Sul e Sudeste que se compõem a nossa riqueza humana.
Um abraço,