Breno da Mata Versão para impressão
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Na última semana aconteceu no Rio de Janeiro a III Conferência dos Brasileiros no Mundo. O evento teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a recente eleição dos brasileiros para o cargo de Representante da Comunidade no Exterior, muitos acreditam que eles ajudarão a resolver os problemas de quem vive fora.
A princípio a idéia parece boa, porém nada me faz pensar que, de fato, algo mudará para melhor.
Estes representantes, que diga-se de passagem foram eleitos por uma quantidade irrisória de brasileiros, nada poderão fazer para ajudar quem de fato necessita. E se o papel deles é ser uma via entre a comunidade e as autoridades, ainda sim pouca coisa vai acontecer.
Dois pontos me fazem desacreditar na proposta. Primeiro que 95% dos brasileiros desconhecem a eleição dos representantes e, mesmo se tivessem conhecimento, teriam pouco ou nenhum acesso aos eleitos.
Segundo por que nós, brasileiros fora do Brasil, já temos os nossos representantes. Cada cônsul é uma autoridade oficial do Brasil em território estrangeiro. São eles as pessoas que, munidos de suas credenciais diplomáticas, tem trânsito e respeitabilidade junto às autoridades nos respectivos países em que atuam.
Tentar tirar esta responsabilidade deles e jogar para um cidadão comum, mesmo que apontado pelo governo, é transferir responsabilidade e lavar as próprias mãos.
Não podemos esquecer que cada consulado recebe dezenas, senão milhares de brasileiros todos os dias. Cada um com suas reclamações, sugestões e pedidos. Se o governo desejasse saber realmente o que se passa entre os brasileiros e fazer algo a respeito, bastaria ouvi-los Nada mais.
O presidente Lula disse, durante a conferência no Rio de Janeiro, que o brasileiro não precisa mais sair do país, e quem vive fora pode voltar pois há emprego para todos.
De fato o país melhorou substancialmente. Mas os cerca de 5 milhões que ainda vivem fora e que não tem intenção ou condição de voltar, precisam de um governo que esteja do lado deles.
Nem todos, se regressarem, terão condições de conseguir um bom emprego ou montar um negócio. Muitos simplesmente não querem mais voltar a viver no Brasil.
O governo deve sim fazer um governo que não deixe os brasileiros reféns do país, mas não deve abandonar aqueles que já partiram.
Um abraço,