Breno da Mata Versão para impressão
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Emigrar para outro país e trabalhar como faxineira, balconista em loja de fast food, babá e dezenas de outros empregos, geralmente relegados aos imigrantes, nunca foi surpresa ou vergonha para ninguém.
Pelo menos se você for uma pessoa desconhecida.
Esta semana um fato pode ter mostrado que o brasileiro que vive no Brasil pode ter conceitos, digamos, diferentes dos nossos.
A cantora e dançarina Gretchen, que tanto sucesso fez na década de 70 e 80 quando ficou conhecida como a Rainha do Bumbum, protagonizou uma discussão pública, depois de ter uma foto sua publicada na imprensa, trabalhando como garçonete em um restaurante brasileiro na Flórida.
O fato, que ela mesmo insinuou ser verdade no início, mas desmentiu mais tarde, jogou luz em um assunto que poucos admitem em público, mas que verbalizam no particular.
Para muitas pessoas que nunca vivenciaram esta experiência e que desconhecem a nossa realidade, isso ainda é motivo de vergonha.
O caso de Gretchen, que se fosse mesmo verdade, apenas mostraria que ela estaria fazendo aquilo que milhares de brasileiras um dia fizeram: deixar a terra natal para buscar melhores condições de vida para si própria e para a família.
Talvez a rainha do rebolado, que tem seis filhas, sendo uma adotiva, não precise tomar tal atitude.
Ela vendeu mais de 15 milhões de discos no período entre o final dos anos 70 e início de 80. Além disso participou de oito filmes.
Quase trinta anos mais tarde e depois de 14 casamentos, Gretchen não vende mais discos como antes, porém ainda faz apresentações.
Indignada com a reação das pessoas quanto ao possível fato de estar trabalhando nos Estados Unidos, Gretchen afirmou que as pessoas são racistas e preconceituosas.
Ela sabe, assim como nós sabemos, o quão dignas são todas estas mulheres que trabalham fora do país de forma honesta e decente. E é com este trabalho que muitas criam seus filhos, constroem patrimônios no Brasil, dividem as despesas da casa e garantem o futuro educacional e profissional dos filhos, seja dentro ou fora do Brasil.
Estas são as verdadeiras mulheres, pois nem todas teriam tal coragem para enfrentar uma realidade tão dura quanto essa.
Um abraço,