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Editorial - Breno da Mata

Questão racial

07/11/2006 10:00:00 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Está tramitando no Congresso nacional brasileiro, o projeto de lei que trata das cotas raciais e sociais nas universidades bem como nas empresas do setor privado que se beneficiam de incentivo do governo federal. Muitos argumentos contra e a favor tem tomado conta dos debates. A questão é mesmo polêmica. No meu entender, a simples discussão das cotas para negros já constitui uma discriminação em si. Seria então de esperar dos legisladores a exigência das cotas para os portadores de deficiência física, auditiva e visual, por exemplo. Não percebo como a medida irá reduzir a discriminação racial. Seria mais prudente aumentar as cotas nas universidades, dando mais oportunidades para aqueles que buscam uma chance. A melhoria do ensino público de segundo grau, aliada à democratização das oportunidades de ensino básico para as classes mais pobres da sociedade, seria uma das mais sensatas medidas do governo na tentativa de colocar estas pessoas no ensino superior. Quem vive na mais absoluta miséria numa favela de um grande centro urbano, obrigado a ir às ruas para trabalhar e ajudar no sustento da família, dificilmente tem a oportunidade de freqüentar uma escola. No caso dos negros, a situação é ainda mais grave. Historicamente, os negros foram explorados pelos brancos desde a fundação do Brasil. É indiscutível que o afro-descendente constitui parte fundamental dos setores mais explorados e que o racismo segue motivando violências materiais e espirituais. Porém, a solução não está na ponta da caneta dos legisladores. Nos EUA, onde medida semelhante foi adotada há cerca de 30 anos, o resultado é que a população negra continua mergulhada na miséria relativa. A população carcerária nos EUA é constituída de 50% de negros. No país mais rico do mundo, o jovem negro acaba normalmente nos braços da prisão e da droga e dificilmente em uma universidade ou emprego razoável. No Brasil, a igualdade de direitos tem que levar em conta as diferenças sociais. A base da democracia é a igualdade de oportunidades: se não se ensina uma criança pobre a ler, ela não vai ter oportunidades iguais. Então, a sociedade tem que intervir para tornar a igualdade real; mas tem que intervir de forma correta, igualando as oportunidades. O mesmo vale para as cotas nas empresas, destinadas aos menos favorecidos. Seria de se esperar um resultado positivo, numa análise superficial, mas o que conta não é a cota, mas “quem conta”. Com mais ênfase no setor público, o “quem indica” vale mais do que qualquer determinação legal. O nepotismo talvez seja o câncer que corrói as oportunidades daqueles que, muito distantes dos bastidores do poder, se vêem alijados das oportunidades de bons empregos. O resultado é que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, na melhor das hipóteses, continuar a sofrer com a falta de oportunidades. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor

Breno da Mata

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