Breno da Mata Versão para impressão
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O debate sobre a reforma imigratória começa a esquentar novamente. Enquanto a mídia americana ainda trata o tema como assunto secundário, deputados e senadores começam a apresentar suas propostas e suas visões de como consertar o falido sistema imigratório.
Na última semana, o senador Ted Kennedy introduziu uma proposta de limitar as deportações e facilitar a obtenção de visto de turistas para parentes de residentes permanentes nos EUA.
Assim como em 2005, Kennedy luta para tornar o sistema mais justo para os milhões de imigrantes indocumentados que hoje sofrem com a separação das famílias e a falta de perspectiva no futuro.
Ao mesmo tempo, outros políticos que simpatizam menos com os imigrantes, também começam a verbalizar suas idéias de como resolver o problema.
Entre as mais absurdas que apareceu até o momento, chama a atenção a proposta de Newt Gingrich de exigir que os 12 milhões de imigrantes indocumentados deixem o país para ter direito a receber uma autorização de trabalho temporária.
Em entrevista ao canal Telemundo, Gingrich afirmou que o programa poderia funcionar dentro de um período de 2 a 3 anos.
Jorge Ramos, apresentador do programa Al Punto, ironicamente perguntou se ele realmente acredita que 12 milhões de pessoas que sofrem toda sorte de barbárie da imigração iria deixar o país acreditando que poderiam voltar com um visto nas mãos.
Qualquer imigrante neste país conhece muito bem como funciona (se é que funciona) o Departamento de Imigração. Políticas, datas, cotas e regras mudam frequentemente sem aviso prévio, na grande maioria das vezes para pior. Nos últimos 10 anos assistimos a degradação da qualidade de vida dos imigrantes sem documentos. Muitos esperam há anos pela conclusão de seus processos que parecem nunca avançar. Mesmo assim, permanecem trabalhando, a despeito de estarem separados de suas famílias.
O desejo dos anti-imigrantes é um só: colocar para fora cada um dos imigrantes que aqui estão.
A proposta do sr. Gingrich soa como uma grande armadilha. Porém, existe um detalhe que ele não se deu conta. Quem irá preencher os milhões de postos de trabalho que ficarão desocupados? É bom lembrar que imigrante sem documento não está trabalhando no banco como gerente ou como engenheiro em uma grande empresa. Eles estão nas fazendas colhendo tomates, limpando o chão das casas e cortando a grama.
Um abraço,