Breno da Mata Versão para impressão
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Se por um lado a retomada do trabalho beneficiado pelo período de muito sol é uma boa notícia, por outro o mês de junho tem se mostrado negro, particularmente para aqueles que trabalham na construção em geral.
Até o presente momento, dois brasileiros foram vítimas de acidente de trabalho. Um terceiro faleceu, aparentemente, de infarto e um quarto morreu afogado.
A notícia choca num primeiro momento e serve de alerta num segundo.
Afinal, por que tantos brasileiros são vítimas de acidentes enquanto trabalham?
Ao longo da última década, noticiamos dezenas de brasileiros que deixaram o sonho de uma vida melhor no meio do caminho. Pior, na grande maioria, famílias inteiras saíram de uma posição de ascensão para desespero e incerteza do futuro.
Mesmo sendo a morte a única certeza que temos na vida, temos a tendência de ignorá-la. Ao fazer isso também ignoramos um aspecto importante: a prevenção.
Eu ainda não cheguei a uma conclusão definitiva, mas suspeito que o acaso tem uma participação quase que nula em cada acidente.
Nos casos de acidente de trabalho, penso que o desconhecimento do ramo, a absoluta ausência de segurança no local de trabalho e principalmente a confiança excessiva em si mesmo, são alguns dos fatores que ajudam a engrossar as estatísticas.
Neste último quesito, gostaria de me estender um pouco mais. A autoconfiança que temos é para mim a causa primária de grande parte dos acidentes. Nós sempre achamos que “vai dar”. Que se segurar bem com as mãos não precisa do cinto de segurança. Que pode-se andar mais rápido no telhado para terminar mais cedo.
Aliás, sempre queremos tudo mais rápido. Queremos ir para casa cedo, queremos ganhar o máximo possível de dinheiro num espaço de tempo mais curto possível.
Nessa lógica, não podemos perder tempo colocando o cinto de segurança, certificando que o andaime está bem colocado ou esperando a chuva passar para recomeçar o serviço. Tudo é para ontem.
Ao levantar pela manhã e seguir para o trabalho, a pessoa deveria se questionar se o que ele faz é seguro. Se não, o que você, ou a empresa, tem feito para garantir que haja um mínimo de proteção.
Lembre-se que em casa, seja aqui ou no Brasil, alguém está à espera que você volte da mesma forma que saiu. Vivo e com saúde.
O resto, bom, o resto pode esperar.
Um grande abraço,