Breno da Mata Versão para impressão
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A crise norte-americana está longe de acabar. Pelo menos é o que afirmam os poderosos The New York Times e The Economist em matérias publicadas na última semana.
O motivo? A quase quebra (evitada pelo socorro do governo) de dois dos maiores bancos de empréstimo imobiliário dos Estados Unidos, o Fannie Mae e o Freddie Mac, que juntos garantem nada menos do que $5.2 trilhões em empréstimos.
Apesar da controversa ajuda vinda dos cofres públicos, analistas afirmam que se nada fosse feito para evitar a bancarrota, todo o sistema financeiro do país poderia entrar em colapso.
A contradição fica no fato de que, no maior país capitalista do mundo, a regra que valeu foi a socialista, ou pelo menos em parte. Os lucros são privatizados, mas o prejuízo é socializado.
Enquanto os bancos se beneficiavam de uma economia em expansão, os bilhões de dólares em lucro iam para o bolso de seus investidores.
Agora que a moeda se inverteu, coloca-se dinheiro do contribuinte para evitar a iminente quebradeira.
Os economistas mais otimistas falam em alguns anos de recessão, os mais pessimistas já falam em década.
De certo há o fato de que o pior ainda está por vir.
A crise imobiliária é apenas um dos problemas que o país atravessa. O próximo governo ainda terá que lidar com o dólar fraco, o preço do petróleo nas alturas, a guerra que não tem previsão de acabar tão cedo e a perspectiva sombria que aguarda o seguro social com a aposentadoria dos chamados Baby Boomers. São cerca de 78 milhões de americanos que irão custar aos cofres públicos três vezes mais do que a economia do país.
Os dois candidatos à Casa Branca pouco ou nada contribuem para o debate e possíveis soluções. Seguem na retórica da promessa pura e simples de que tudo será resolvido a partir de 1º de janeiro.
O imigrante se vê no meio dessa tempestade de más notícias, agravada pelo arrocho contra a imigração ilegal, assistindo a degradação do poder aquisitivo.
Muitos já perderam seus negócios, muitos outros ainda irão ficar pelo caminho. Apenas os mais fortes e bem estruturados vão conseguir sobreviver à turbulência. A que custo eu não sei.
Sem lugar para correr, milhares preferem simplesmente abandonar o barco e recomeçar a vida no país onde um dia, ironicamente, eles deixaram fugindo da recessão, da dificuldade em adquirir a casa própria e de uma moeda fraca.
Parece familiar?
Um abraço,