Breno da Mata Versão para impressão
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Causa-me revolta ouvir de grupos anti-imigrantes a retórica de que o imigrante “ilegal”, como eles gostam de rotular, são uma carga para os cofres públicos.
Ao se completar cinco anos da guerra do Iraque, na quarta-feira 20, podemos rever os números que de fato consomem as finanças dos Estados Unidos.
Segundo o jornalista Sérgio Dávila, da Folha de São Paulo, em seu blog, até o momento foram gastos nada menos do que 3.000.000.000.000 de dólares. Isso mesmo, US$ 3 trilhões. Duas vezes o BIP brasileiro (tudo que o Brasil produz em um ano).
O governo Bush gasta US$ 12 bilhões a cada mês.
Este é o custo de uma guerra que já é a segunda mais cara da história do país, perdendo apenas para a Segunda Guerra Mundial.
Os dados foram apresentados por Joseph E. Stiglitz, professor da Universidade Columbia.
Ao mesmo tempo, o governo disponibilizou zero dólares para o Departamento de Imigração e Naturalização.
Não é surpresa que milhares de imigrantes esperam em média oito anos para se legalizar.
Também não me surpreende que outros milhares resolvam atravessar a fronteira ilegalmente pois esta é a única solução, já que fazê-lo legalmente é uma tarefa quase impossível.
Numa análise mais aprofundada, chegaremos à conclusão que o maior responsável pela imigração ilegal é o próprio país.
Enquanto houver pessoas desesperadamente precisando sobreviver e houver oferta de emprego em outro país, haverá imigração. Legal ou não.
Na medida que os países ricos ignorarem a importância de manter uma forma legal de deixar trabalhadores estrangeiros entrar, cresce o número de pessoas chegando pelas portas dos fundos.
A população norte-americana caminha a passos largos rumo ao envelhecimento e, conseqüentemente à falência do sistema previdenciário.
O vizinho Canadá já percebeu isso e não hesita em criar mecanismos legais que incentivem os trabalhadores a se mudarem para lá. É uma questão de sobrevivência, nada mais.
Porém, na terra do cowboy Bush, os interesses imediatos, como o petróleo, falam mais alto.
No futuro, teremos mais gasolina para gastar e menos gente para dirigir os carros.
Um grande abraço,