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Editorial - Breno da Mata

Papai Noel, vítima ou vilão?

12/19/2007 09:33:49 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Às vezes o excesso de justiça, ou o que se pensa ser justiça nos Estados Unidos, me assusta.

Se é verdade que eu me sinto protegido e certo de que a justiça estará ao me lado para me proteger, também é verdade que, muitas vezes, ela pode nos colocar numa situação que beira o desespero.

Nestes quase dez anos trabalhando com a notícia, presenciei muitas histórias que seriam difíceis de se acreditar.

Nesta semana, por exemplo, o jornal local americano deu a seguinte notícia: “Papai Noel acusa mulher de tocá-lo impropriamente”. A suposta tarada por velhinhos vestidos de vermelho, foi presa e deverá comparecer à Corte.

Ainda não está claro se ela confessou o “crime” ou não. Eu tento imaginar como uma pessoa que fica o dia inteiro dentro de um shopping center, vestido de Papai Noel e recebendo dezenas de pessoas que sentam no seu colo para uma fotografia natalina, diz que uma pessoa o “tocou impropriamente”. Como esta mulher provará que não fez?

Há cerca de dois anos, um brasileiro foi acusado de obscenidade num estacionamento de um conhecido supermercado. A testemunha, uma senhora de cerca de 65 anos, o teria visto dentro do carro se masturbando.

Preso, com sérias acusações, ele somente conseguiu provar ser inocente devido à experiência de seu advogado, que provou ao juiz que ele estava lendo um livro no colo, e não praticando atos obscenos. A senhora, que jurava ter visto a cena, não conseguia ler um texto colocado a menos de um metro de distância, como ficou demonstrado durante a audiência.

No Brasil, uma das regras básicas da justiça, diz que “O ônus da prova cabe a quem acusa”, ou seja, você é considerado inocente até que se prove o contrário.

Aqui parece que acontece o oposto. Se alguém o acusar de algum crime, você terá que provar sua inocência.
Talvez seja por isso que os EUA é conhecido como o país do sue, ou processo judicial.

Tudo aqui gira em torno das empresas de seguro, que faturam milhões juntamente com os advogados e as clínicas médicas.
No final, quem de fato paga a conta somos nós, com as altas prestações de seguro.

A indústria do sue parece seduzir até o bom Papai Noel.



Um grande abraço.

Breno da Mata

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