Breno da Mata Versão para impressão
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Às vezes o excesso de justiça, ou o que se pensa ser justiça nos Estados Unidos, me assusta.
Se é verdade que eu me sinto protegido e certo de que a justiça estará ao me lado para me proteger, também é verdade que, muitas vezes, ela pode nos colocar numa situação que beira o desespero.
Nestes quase dez anos trabalhando com a notícia, presenciei muitas histórias que seriam difíceis de se acreditar.
Nesta semana, por exemplo, o jornal local americano deu a seguinte notícia: “Papai Noel acusa mulher de tocá-lo impropriamente”. A suposta tarada por velhinhos vestidos de vermelho, foi presa e deverá comparecer à Corte.
Ainda não está claro se ela confessou o “crime” ou não. Eu tento imaginar como uma pessoa que fica o dia inteiro dentro de um shopping center, vestido de Papai Noel e recebendo dezenas de pessoas que sentam no seu colo para uma fotografia natalina, diz que uma pessoa o “tocou impropriamente”. Como esta mulher provará que não fez?
Há cerca de dois anos, um brasileiro foi acusado de obscenidade num estacionamento de um conhecido supermercado. A testemunha, uma senhora de cerca de 65 anos, o teria visto dentro do carro se masturbando.
Preso, com sérias acusações, ele somente conseguiu provar ser inocente devido à experiência de seu advogado, que provou ao juiz que ele estava lendo um livro no colo, e não praticando atos obscenos. A senhora, que jurava ter visto a cena, não conseguia ler um texto colocado a menos de um metro de distância, como ficou demonstrado durante a audiência.
No Brasil, uma das regras básicas da justiça, diz que “O ônus da prova cabe a quem acusa”, ou seja, você é considerado inocente até que se prove o contrário.
Aqui parece que acontece o oposto. Se alguém o acusar de algum crime, você terá que provar sua inocência.
Talvez seja por isso que os EUA é conhecido como o país do sue, ou processo judicial.
Tudo aqui gira em torno das empresas de seguro, que faturam milhões juntamente com os advogados e as clínicas médicas.
No final, quem de fato paga a conta somos nós, com as altas prestações de seguro.
A indústria do sue parece seduzir até o bom Papai Noel.
Um grande abraço.