Breno da Mata Versão para impressão
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Os Estados Unidos vive uma verdadeira histeria coletiva em relação à imigração “ilegal”, como os xenófobos gostam de se referir.
Na espiral de mentiras e meias-verdades, o país vai perdendo a noção da realidade e provocando situações impensadas em tempos passados.
Tome por exemplo o caso do americano Peter Guzman, que foi deportado para o México depois de ter sido erroneamente considerado como se estivesse no país de forma irregular. Na verdade, ele tinha problemas mentais e não conseguiu provar que havia nascido em Los Angeles.
Nesta semana, a revista Fairfield Weekly publicou uma excelente matéria sobre o caso de dois imigrantes legais, mas que, devido à burocracia do Departamento de Imigração, chegaram a ser atirados no limbo da ilegalidade.
Um deles, o inglês Marty Jennings, chegou aos EUA em 1969, aos seis anos de idade. De posse do seu green card, ele nunca se preocupou em aplicar para a cidadania norte-americana.
Em 2006, depois passar 60 dias detido por dirigir embriagado, Marty foi liberado. Na hora de recolher seus pertences na prisão, ele deu falta de um documento importante, seu green card.
Daí em diante, Marty nunca mais conseguiu provar que era um residente permanente. Sem documentos, hoje ele vive nas ruas, sobrevivendo com a ajuda de caridades.
O sistema está falido há tempos, disso ninguém tem dúvidas.
Com a crise econômica, a retórica contra os imigrantes se fortalece. Para muitos, os efeitos do aumento no número de desempregados é reforçada pela presença dos imigrantes. Será?
Segundo Tim Wise, um dos mais renomados ativistas anti-racismo do país, pensar que a culpa do baixo salário do trabalhador norte-americano está diretamente ligado à presença dos imigrantes, é um erro primário.
Ele pergunta: se a partir de hoje, a fronteira com o México fosse totalmente fechada, você pensa que os empresários iriam simplesmente dizer “Okay, está aqui um aumento de salário para todos”.
Este pensamento contra as minorias é antigo. A origem antecede até mesmo o período da escravidão.
O privilégio da raça branca data da colonização norte americana.
Durante séculos essa supremacia branca foi sendo meticulosamente elaborada.
Com o fim da escravidão (e dos períodos mais intensos da discriminação racial), vemos que muita coisa ainda precisa mudar para que possamos viver num mundo verdadeiramente livre e igualitário.
Um grande abraço,