Breno da Mata Versão para impressão
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Benjamin Franklin certa vez disse que “Viver é enfrentar um problema atrás do outro. O modo como você o encara é que faz a diferença”. Muitas vezes me pergunto: o que ganhei com o tempo, com o passar dos anos? O quê? Engraçado como percebo que talvez tenha feito essa pergunta tarde demais, ou pelo menos não tão jovem assim. Os anos passam e nem nos damos conta que deveríamos nos preocupar um pouco mais, não com aquilo que ganhamos, mas com aquilo que perdemos, que deixamos pelo caminho. Vamos “crescendo” e buscando recursos, propriedades, colocações, carreira, estabilidade e até aposentadoria sem planejar muito. Também vamos tropeçando em amigos, companheiros, casamentos, filhos, parentes, festas, inimigos, tristezas, doenças, experiências, decepções, amores, traições, surpresas, enterros, alegrias, recuperações, dores e curas. Tudo isso nem sempre bem dividido e não necessariamente nessa ordem. Mas afinal, se ganhamos tanto o que perdemos? Tempo. Perdemos tempo esquecendo de quem éramos, ou melhor, de quem ainda somos. Passando ao longo do lugar comum de sonhos e ideais, complicamos com o passar dos anos as coisas que quando mais jovens simplesmente vivemos. Sem falar também de condições, posições ou crenças, o que realmente perdemos com o passar dos anos, se não nossa inocência ou ingenuidade, inevitável, perdemos nossa espontaneidade, sinceridade, a confiança dos que nos cercam. “Crescemos” ponderando muito, desculpando excessivamente, evitando, dissimulando, omitindo, e na verdade, mentindo mesmo. Sempre que olhamos para trás, procuramos geralmente o que perdemos por fora ou ao nosso lado. Porém, não nos damos conta que realmente o que se perdeu foi por dentro. Onde está nossa chama, nossa paixão, a convicção e confiança inquebrantável em nossas crenças e amores, que se não eternos em sua duração, mesmo que momentânea? Pelo caminho iremos nos arrepender de muitas coisas, porém a que mais nos corrói é o arrependimento daquilo que não fizemos. Das coisas que não tivemos coragem para mudar quando podiam ser mudadas. É, talvez seja isto que a idade traga, a desconfiança de que já não somos os mesmos. Sinceramente, acho que preferiria só as rugas. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor